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Longo Caminho para casa

A sina, o caminho, ou simplesmente uma história. Um caminho igual a tantos outros, ou, uma história de vida, semelhante a tantas outras vidas. Uma história vivida, ou apenas fruto da minha imaginação.

Longo Caminho para casa

A sina, o caminho, ou simplesmente uma história. Um caminho igual a tantos outros, ou, uma história de vida, semelhante a tantas outras vidas. Uma história vivida, ou apenas fruto da minha imaginação.

19
Mai19

Longo Caminho para Casa - Quarenta


Longocaminhoparacasa

40 

Acordou antes das oito, vestiu primeiro a força e depois o top, os calções e os ténis velhos que já contavam bastantes quilómetros.
Em cada passada, acompanhada pelo som da música que lhe soava aos ouvidos, Maria, vingava-se da injustiça, e recuperava o fôlego necessário para continuar.
De volta à rotina Maria sorria e não desistia dos sonhos.
De repente a balança deixa de se queixar e Maria recupera quase o seu peso anormalmente leve.
A falta de apetite, as corridas constantes, os jogos entre amigos, e as idas ao ginásio frequentes, não foram só a forma de se vingar, mas o modo de ultrapassar tal fase no caminho de Maria.
Decide mudar de médica, e decide continuar a lutar pelo sonho.
Luis, continuava a ser o marido mais magnifico do mundo, o companheiro mais presente e o seu maior apoio.
Ambos tinham agora um sonho, um objectivo, que amorosamente negociaram, seguir a saúde de Maria e aumentar a família o mais rapidamente, custasse o que custasse.
Para isso por aconselhamento medico, Maria tinha de aumentar o seu peso, tomar uma centena e meia de vitaminas, diminuir o trabalho, e não descuidar dos exames.
Havia só uma condição para partirem em busca dessa estrada que lhes ensinava o caminho de casa…
Maria tinha de fazer a rotina para que pudessem ter a certeza que aquele monstro assassino do século, não havia renascido para estragar este sonho.
Ela era a prova viva de que se cresce muito quando enfrentamos os nossos medos.
Ela era a certeza absoluta de que entre erros e acertos, fins e recomeços, a vida é feita de tantas felizes coincidências....
Maria trazia com ela aquele brilho nos olhos das pessoas que acreditam mais na beleza das coisas que fazia acontecer, do que no destino que era escrito pelos outros.
Vestia em cada dia o seu melhor sorriso, esperançoso e aberto ao recomeço, até mesmo ao recomeço de si mesma.
Olhava para a vida de forma comovida, mas nunca rendida.
E com as mãos no coração e os pés (bem assentes) no chão, confiava, confiava muito.
Confiava que todo o sol, a lua, as estrelas, os anjos e o seu anjo da guarda, todos eles, em forma de gente boa, entraram no seu pequeno mundo, na sua estrada mais longa, no seu amor maior.
Faziam nela nascer o sentimento de fé e da mais profunda gratidão como sentem os eternamente agradecidos por todas as coisas boas que recebem.
Para uns seria sorte, para outros muita sorte, para Maria, havia de ser sempre um caminho desenhado por si.
CLR
17
Mai19

Longo Caminho para Casa - Trinta e Cinco


Longocaminhoparacasa

35

Aquele caminho não foi longo, mas foi demasiado doloroso para ser esquecido.
Mas pior do que isso, foi a ausência. A ignorância, e a omissão.
O viver constantemente no teatro. Viver no reino da representação. Representação de sorrisos, de alegrias, de forças.
Mas havia pior…
Tal como a lua desaparece ao raiar do dia, também ela se escondeu nos raios de sol…
O desaparecimento do anjo odorava a mau pressagio…
Maria deixou de ver o sol, de sentir os seus raios a queimar-lhe o corpo e a derreter-lhe a alma…
Hoje, Maria olha para o Céu, e nas estrelas que lhe molham o rosto recorda, o sol, o anjo e as suas estrelinhas….
Do rosto escorrem-lhe lágrimas com o sal da tristeza e o açúcar da paz… Daquela paz de quem está bem com a sua consciência…
Maria parece que finalmente reencontrara o caminho seguro que a levara até casa.
Sorria escondendo a tristeza e a falta de alegria que foi afogando na ideia de construção da família, que tanto desejara… E que repentinamente se transforma no projecto prioritário e urgente.
Aos poucos foi reconstruindo os cacos do amor que se tinha apagado…
Abriu o coração e deixou-o amar.
Agora, Maria vive um dia de cada vez.
Percebendo que na vida há muitas injustiças e sofrer faz parte dela, como sofre quando pensa nas estrelas que tem no céu…
Os meses foram passando, e as mágoas foram secando. O sorriso foi abrindo até poder sentir a primavera.
O brilho das flores, o calor do sol, o amor do mar e o calor da família que tanto sonhara ter.
Todos os meses Maria rezava a Deus.
Pedia paz e amor, para todos e ao seu anjo, pedia ajuda para superar aquela fase tão difícil e dolorosa.
O pedido era condicionando à concessão do desejo do bisneto que tanto desejavam, só assim a vida fazia sentido para Maria. Só assim aquela luta fazia sentido.
De que servia a vida, se não fosse para dar frutos, e deixar sementes?
Maria não queria deixar mais nada se não o amor. E haveria mais legado do que o amor dos filhos? Conceber, ver nascer, crescer, e amar?
Naquele momento, Maria pensava muito na Morte, no que seria, como seria.
Será que apenas o corpo tem fim?
De repente vem-lhe à lembrança o seu anjo, pensa… Sorriu.....Os anjos estão juntinhos, e de repente dissipavam-se todas as dúvidas, e, sim, apenas o corpo se vai, porque o amor, a lembrança, as recordações o sorriso, esse fica-nos sempre no coração.
Para Maria a luta só fazia sentido se fosse para construir algo, caso contrario, queria sentir novamente o colinho do seu anjo. E o aperto de bochechas do seu avó….
Só assim fazia sentido, por isso tomou a decisão mais difícil da sua morte.
Lutar!
 
CLR

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