Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Longo Caminho para casa

A sina, o caminho, ou simplesmente uma história. Um caminho igual a tantos outros, ou, uma história de vida, semelhante a tantas outras vidas. Uma história vivida, ou apenas fruto da minha imaginação.

Longo Caminho para casa

A sina, o caminho, ou simplesmente uma história. Um caminho igual a tantos outros, ou, uma história de vida, semelhante a tantas outras vidas. Uma história vivida, ou apenas fruto da minha imaginação.

21
Mai19

Longo Caminho para Casa - Quarenta e Um


Longocaminhoparacasa

                                          trpolice (1) 

 

Ela...
O caminho, o percurso, a estrada, havia de ser sempre escolhido, sentido, desenhado por si.
Maria adorava desenhar, pintar, correr, escrever, sentir a natureza a praia, o campo, o rio, as flores, os cheiros tudo lhe deixava marcas, tudo lhe trazia lembranças, tudo fazia parte de si.
Pintar, era outro dos seus passatempos preferidos. Outro escape a juntar às corridas, ao exercício, à escrita, a pintura.
Quando não havia mais gavetas para arrumar, Maria desenhava e pegava numa tela, nuns pincéis e algumas tintas e escrevia na tela o que lhe ia na mente.
Arrumava as gavetas, dava uso aos ténis, coloria telas, escrevia blogs, e preenchia as folhas vazias do seu diário com o mapa do caminho por si sentido e percorrido.
Maria pensava que mesmo que nalgum dia se perdesse, por ter atravessado tantos caminhos cruzados, nunca se iria arrepender do seu passado.
Olhava para trás e via várias linhas, umas mais marcantes do que outras mas nenhuma havia sido insignificante. Todas tiveram o seu propósito. Todas elas importantes!
Maria já havia gostado bastante de futebol. Quando andava no secundário, um dos seus passatempos preferidos chegou a ser ir com algumas colegas ver os treinos de um dos grandes clubes da Segunda Circular. Por e simplesmente o Clube do seu anjo.
E como era lindo ver aquele casal de velhotes, amorosos, a transbordar felicidade e amor de mão dada nas bancadas, devidamente trajados à altura a assistir a um dos seus programas preferidos! Um jogo do seu SCP!
Só a imagem já cheira a amor. Casal mais unido, mais puro de maior cumplicidade, de tudo o que se pode imaginar e querer!
Olhar e ver aquilo é sentir, “só eu sei, porque queria muito encontrar aquele caminho para mim”, pensava Maria, a ver os avós de mãos dadas, completamente apaixonados, a trocarem mimos, nos seus passeios por Lisboa.
Maria sorria, quando ouvia a avó a cantarolar, de entre outras canções, a do hino do Sporting. O Clube que lhe enchia o coração de pulos, e lhe fazia subir a tensão, deixando-a ao rubro a assistir a qualquer partida, quanto mais quando do alto dos seus mais de 90 anos, ia com o seu amor, amado, amante, namorado, marido, amigo, companheiro da e para vida, namorar para o estádio do seu clube, não havia coração que aguentasse.
Nem o de Maria que se vertia em lágrimas de alegria e emoção ao vê-los...
Eram o exemplo mais querido! Aquele caminho que Maria queria encontrar e seguir!
Já estavam as estrelas no céu, e com esse pano de fundo, Maria decidiu aceitar por algumas vezes ir aos estádios, na tentativa de atingir aquele clímax que se habituara a assistir.
Numa das vezes foi a convite do Gabriel, bancada VIP, que Maria aceitou não por ser o seu Clube mas por ser o Clube dos seus anjos. Talvez assim o seu sonho tivesse mais perto de se realizar, pensou Maria.
Uma aventura bastante engraçada. Digamos que, nunca viu tanto VIP a cantarolar tanto palavrão em tão pouco metro quadrado!
Maria delirou e sorriu! Gabriel como sempre o cavalheiro, apenas preocupado com a luz do telemóvel de Maria que não se apagava nem por nada!
É melhor atenderes, sugere Gabriel, com um sorriso malandro, deixando escapar o comentário “Eu também ficava em stress se soubesse que a minha namorada se estava a divertir tanto, e com um sorriso tão bonito como está, e....se ela não me atendesse o telemóvel!
- Vá não sejas mauzinho, responde Maria!
Estou assim com um sorriso tão bonito?
- Queres mesmo que te responda? Pergunta Gabriel.
Aquela aventura tivera a sua graça, como todas as que passavam juntos.
Acabou com um jantar na Avenida da Liberdade, e uma série de gargalhadas, quando deixou Maria perto do seu carro e do arrumador enfurecido, que lhe riscava o carro.
Maria era mulher de luvas, e não deu duas gargalhadas, saiu do carro sem se despedir e vai direita ao alvo, deixando Gabriel completamente boquiaberto e desprevenido.
Valeu-lhes Garry e a fuga do arrumador perante a genica de Maria, completamente descontrolada de fúria.
Garry! Lá estava ele de novo!

Noutro dia, Maria visitou a catedral, com o seu querido Manu, vindo do reino dos Algarves, com direito a cachecol e tudo! Esse sim, teve direito a sonhar. Viu as estrelas a brilhar no céu.
Festejos, porque o glorioso também ganhou, cada vez que Maria ia ao estádio, o seu clube tanto o do coração, como o de empréstimo, ganhavam sempre!
Naquele dia até ganharam uma corridinha de fuga entre tamanha confusão de claques, policias, e mal feitores como os de Maria, Manu e os amigos deste!
Não fosse Maria corredora, não estivesse habituada a correr, não se cruzara com aquele sonho, de aroma forte e doce, que a seguiu até ao beco.
Maria encetou a fuga e segundos depois, sentiu que era perseguida. O seu coração saltava de medo, e na sua mente só pensava nas nódoas que iria ter, ou na visita da esquadra desta vez sem toga. O que lhe pairou na mente deu-lhe mais força para correr ainda mais, mas as forças estavam a esgotar-se e a multidão, transformou-se em ainda mais confusão.
De repente sentiu um puxão no braço que a arrastou para uma esquina de um prédio.
Maria primeiro, cerrou os olhos, depois, sentiu um aroma familiar, e num sussurro apertado num abraço sentiu e ouviu um tem calma, fica aqui amor. Fica aqui.
Maria mal o conseguiu reconhecer, com aquele fato, mas aquele cheiro, aquele aperto, aquele abraço, aquele beijo na testa e aquela voz... Era António! Maria não conseguiu dizer uma palavra.
Antonio levantou-se e ordenou aos camaradas, que seguissem em frente.
- Vieste sozinha? Perguntou António
- Não, responde Maria, ainda a tremer.
- Então e o parvalhão do gajo que te trouxe está onde? Pergunta Antonio
- Maria levanta o olhar e vê Manu à sua procura do outro lado da estrada, e acena com a cabeça.
- António, dirige-se a Manu chama-o.
Manu identifica-se, e António irritadíssimo ordena-lhe:
- Bem, leva-a daqui em segurança se fazes favor, achas que és capaz?
Maria ficou ali, sentada no chão ainda por um bocado, a sentir o corpo a tremer, até que Manu lhe dá a mão e a ajuda a levantar.
Acompanha-a até ao metro e onde duas linhas se cruzam, cada um seguiu o seu caminho.
Onde duas linhas se cruzaram... Cada um segue o seu caminho.
Maria segue de carro, até casa, sentindo que o clímax dos estádios tinha acabado!
O amor já existia!
Só precisava de encontrar o caminho até casa.
Cruzasse as linhas que cruzasse, caminhos que encontrasse, estradas que percorresse, o seu caminho era o mesmo!
E o sinal era o de que, estava sempre a cruzar-se com o caminho, o caminho de casa!
CLR

19
Mai19

Longo Caminho para Casa - Quarenta


Longocaminhoparacasa

40 

Acordou antes das oito, vestiu primeiro a força e depois o top, os calções e os ténis velhos que já contavam bastantes quilómetros.
Em cada passada, acompanhada pelo som da música que lhe soava aos ouvidos, Maria, vingava-se da injustiça, e recuperava o fôlego necessário para continuar.
De volta à rotina Maria sorria e não desistia dos sonhos.
De repente a balança deixa de se queixar e Maria recupera quase o seu peso anormalmente leve.
A falta de apetite, as corridas constantes, os jogos entre amigos, e as idas ao ginásio frequentes, não foram só a forma de se vingar, mas o modo de ultrapassar tal fase no caminho de Maria.
Decide mudar de médica, e decide continuar a lutar pelo sonho.
Luis, continuava a ser o marido mais magnifico do mundo, o companheiro mais presente e o seu maior apoio.
Ambos tinham agora um sonho, um objectivo, que amorosamente negociaram, seguir a saúde de Maria e aumentar a família o mais rapidamente, custasse o que custasse.
Para isso por aconselhamento medico, Maria tinha de aumentar o seu peso, tomar uma centena e meia de vitaminas, diminuir o trabalho, e não descuidar dos exames.
Havia só uma condição para partirem em busca dessa estrada que lhes ensinava o caminho de casa…
Maria tinha de fazer a rotina para que pudessem ter a certeza que aquele monstro assassino do século, não havia renascido para estragar este sonho.
Ela era a prova viva de que se cresce muito quando enfrentamos os nossos medos.
Ela era a certeza absoluta de que entre erros e acertos, fins e recomeços, a vida é feita de tantas felizes coincidências....
Maria trazia com ela aquele brilho nos olhos das pessoas que acreditam mais na beleza das coisas que fazia acontecer, do que no destino que era escrito pelos outros.
Vestia em cada dia o seu melhor sorriso, esperançoso e aberto ao recomeço, até mesmo ao recomeço de si mesma.
Olhava para a vida de forma comovida, mas nunca rendida.
E com as mãos no coração e os pés (bem assentes) no chão, confiava, confiava muito.
Confiava que todo o sol, a lua, as estrelas, os anjos e o seu anjo da guarda, todos eles, em forma de gente boa, entraram no seu pequeno mundo, na sua estrada mais longa, no seu amor maior.
Faziam nela nascer o sentimento de fé e da mais profunda gratidão como sentem os eternamente agradecidos por todas as coisas boas que recebem.
Para uns seria sorte, para outros muita sorte, para Maria, havia de ser sempre um caminho desenhado por si.
CLR
16
Mai19

Longo Caminho para Casa - Vinte e Seis


Longocaminhoparacasa

26

Saltou da cama ainda não eram sete da manhã.
Veste o top, os calções e os ténis, e lá vai ela, para o seu treino matinal.
Maria, olha pelo retrovisor e avista o caminho que deixou para trás num sorriso de uma grande amizade. Uma amizade muito especial.
Dirigiu novamente o seu olhar para a frente, e deixou-se enfeitiçar pela cor do carro preto que seguia à sua frente… Cor, Marca, Modelo igual ao de Michael…
As estrelas ainda não se tinham recuperado do que viam, já presenciavam a comparência de novo ser…
Um ser que lhe ocupara amigavelmente o coração e a vida ha quase uma mão cheia de anos…
Levou a mão ao rosto, esticou os dedos que lhe limparam as gotas do mar, que sentia escorrer dos olhos…
As nuvens estavam curvas aos seus olhos, desenhando um ponto de interrogação…
No canto escorria uma lágrima do texto já escrito, por quem sabe o que se vai passar…
Deixar uma vida para nada… Lutar por nada… Apostar na solidão…
Sim era assim que ela no fundo imaginava ter sido o resultado da sua ultima opção.
Na rua, numa poça de água, espelha-se uma imagem num misto de medo, alegria e tristeza…
Maria, sabia… Pressentia, que nem tudo lhe tinha sido contado. Ela sabia…
Estaciona o carro junto à falésia.
Resolveu sair do carro, só para melhor sentir a brisa..
No chão, vê uma rosa, a mesma que tinha trazido consigo, há mais de um mês atrás…
Aquela de que tinha esperança…
Curva o esqueleto e segura-a com firmeza. No dedo fica travado um espinho. Ela leva o dedo junto dos lábios, toca no espinho e dá-lhe um beijo, sussurrando amo-te…
- Amo-te… Meu amor, Amo-te!
Foram mais de 10 quilómetros que limparam todas as mágoas, libertaram o sorriso e soltaram palavras ainda que solitariamente ouvidas.
CLR

15
Mai19

Longo Caminho para Casa - Vinte


Longocaminhoparacasa

20

A noite estava estrelada. 
Do manto azul brilhavam sinais de uma ninfa docemente envolta em chocolate, ora doce, branco, ora amargo, saboreado ao som de um Primeiro beijo, Paixão, ou o Prometido é devido, com um cavaleiro andante que mais tarde soou a não queiras saber de mim, e nunca me esqueci de ti.
Tudo por causa das pontes. 
Do seu significado já luzia a convicção que nada se poderia construir, porque nada havia para construir se não mais uma amizade. 
Maria tinha fechado o coração ao mundo.
Tinha criado um muro, onde protegia um mundo só seu, onde só deixava entrar quem fosse insistente e lhe provasse ser digno e merecedor da sua confiança. Por isso nada mais ofertava se não uma amizade, e alguns sorrisos.
De peito aberto, seguiu como quem pega numa folha em branco e confiantemente, começa a rabiscar o desenho que imaginou.
Desenhou e pintaram mais, mas começaram por desenhar aquela amizade.
Fizeram-no e fizeram muitíssimo bem, de tal modo que construíram uns alicerces que permitiam a construção de um aranha céus.
Uma afeição, uma estima, uma simpatia, apreço, um apego, uma cordialidade linda, que construiu uma amizade maravilhosa e robusta que perdurou e perdura ao longo do tempo. 
Ambos ganharam, lucraram daquela uma amizade maravilhosa que ofertaram naturalmente um ao outro, como se oferecem flores, a quem gostamos e recebemos com sorriso, de quem gosta de nós…
Com ela, ou com eles, o comboio seguiu…
O nascer do sol era cada vez mais lindo, aos olhos da Maria brilhavam cada vez mais, e tudo parecia crer que aquele havia de ser um dia especialmente deslumbrante e inesquecível para ambos…
Sem a mínima expectativa, sem nada esperar, sem nada sonhar…
Estavam a conceber um novo amor, uma paixão, construída sobre uns alicerces de uma amizade inabalavelmente inquestionável.

CLR

11
Mai19

Longo Caminho para Casa - Dois


Longocaminhoparacasa

932f7c7666ca03fd37ece8ba3087f892.jpg

 

O barulho da água a correr na banheira despertou-lhe a consciência de que se devia levantar.
Empinou então o peso do corpo mole e cansado , erguendo-o da velha e ruidosa cama…
Fê-lo com dificuldade, devido aos bombos que teimavam em tocar na sua cabeça, Contudo, lá se conseguiu colocar na vertical.
Arrastou as pernas até à casa de banho, tentou lavar o que pode da alma e das lágrimas de mágoa.
Dor que se confundia, tanto no rosto, como nas restantes partes do corpo
- Maria, o pequeno-almoço está na mesa.
- Já vou.
Um galão e uma sandes de queijo da serra, foi o manjar que lhe tinham preparado.
Depois da casa arrumada e as malas no carro, restava-lhes uma pequena diligência que cumpriram antes de se meterem à estrada novamente.
O dia tinha acordado demasiado cinzento para que se pudesse pensar em sol, e estavam a cumprir-se as ameaças de chuva que se anunciavam…
O final de Agosto parecia ter chegado mais cedo, parecia Inverno. No pára-brisas, escorriam as lágrimas que caíam do céu. Lágrimas gemidas por nuvens em fúria, empurradas pelo sopro do malvado vento.
Vestida na protecção do seu carro, carregava no acelerador com a fúria que é precisa para rapidamente atravessar o temporal…
O limpa pára-brisas, empurrava para os cantos do vidro, a chuva, como quem empurra as lágrimas nas gotas de tristeza, para o lado da vida…
Não era só o céu que estava nublado…
CLR

11
Mai19

Longo Caminho para Casa


Longocaminhoparacasa

A SINA, O CAMINHO, OU SIMPLESMENTE UMA HISTÓRIA IGUAL A TANTAS.

UM CAMINHO IGUAL A TANTOS OUTROS CAMINHOS OU, UMA HISTÓRIA DE VIDA, SEMELHANTE A TANTAS OUTRAS VIDAS.

UMA HISTÓRIA VIVIDA OU NÃO.

APENAS FRUTO DE IMAGINAÇÃO.

UMA HISTÓRIA DE CORAÇÃO

57258194_2636357809708944_8239006261786443776_n.jp