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Longo Caminho para casa

A sina, o caminho, ou simplesmente uma história. Um caminho igual a tantos outros, ou, uma história de vida, semelhante a tantas outras vidas. Uma história vivida, ou apenas fruto da minha imaginação.

Longo Caminho para casa

A sina, o caminho, ou simplesmente uma história. Um caminho igual a tantos outros, ou, uma história de vida, semelhante a tantas outras vidas. Uma história vivida, ou apenas fruto da minha imaginação.

22
Mai19

Longo Caminho para Casa - Quarenta e Quatro


Longocaminhoparacasa

44

            O cansaço era tanto que não lhe foi nada dificil adormecer.

            Estava numa praia, linda! E ouvia-se uma música no ar.

Maria desvia a cabeça para conseguir ouvir melhor a letra da melodia que docemente pintava aquele cenário. E rezava assim uma voz doce_

 

Guiada por si

Movida pela fé

Estou aqui

 

Maria percebe a mensagem, e acorda num sorriso aberto de luz.

Levanta-se e rapidamente procura o portatil para escrever o que o sonho lhe tinha colado na mente.

Abre a página do word e escreve:

 

Guiada por si

Movida pela fé

Estou aqui

 

Tenho-a sempre comigo

Mas, tenho saudades de si...

Tenho-a sempre comigo....

Mas, tenho saudades de si.

 

Sorrio mas também choro e não minto

Quando digo que muito honrada me sinto

Por ter conhecido da sua ciência

da sua experiência de vida.

 

Sou feliz por dizer

Que o amor que me luz no rosto,

Foi de certo traçado pelo amor que me doou.

 

Amor do sorriso que me ensinou

Sorriso por inteiro, amor de amor, de gente sem frente.

O amor sem barreiras

O amor que não mente...

O amor sem limites

O amor para a vida inteira

O amor para além da linha da sua vida...

 

Sem confins sufocados nem alfinetes.

O mesmo amor que cuido todos os dias legar

Tal como fez comigo...

 

Hoje não estou triste...

Sim, hoje, vou sorrir como me ensinou

Mesmo dilacerada de nostalgia

Vou sorrir...

Mas sorrio de olhos lavados...

 

Lavados pela saudade de a ter à minha frente...

De rever as linhas vincadas de tempo no seu rosto,

O sorriso sincero, desinteressado

E mais puro que conheci...

 

Sorrio de olho lavado

pela saudade de sentir aquele aconchego

O calor do seu abraço sempre demasiado apertado...

 

O regaço, os mimos, os doces

O amor afetuoso daquilo que é tão nosso...

 

O suficiente para ser único

O verdadeiro amor.

Digno da avó que não o sendo foi...

Única.

E por isso sempre,

Sempre

Comigo esteve e estará

E para sempre será

O meu anjo da guarda.

 

Até qualquer dia,

E continue a cuidar de mim,

Continue a cuidar de nós...

Beijo de saudades...

 

Sim já fiz fé, mas

vou comer uma carcaça com manteiga e açúcar amarelo

pingada com as lágrimas de saudade da melhor avó que conheci.

 

Porque para mim não partiu

Estará sempre comigo

 

Maria percebe muitissimo bem a mensagem, depressa pensa que tem de partilhar esta sua experiência.

Maria tinha um blog. Mas não era aquele onde havia de publicar. Então resolve criar um só para escrever esta sua experiência. E deu-lhe o nome de “ Anjo Meu”.

 

CLR

16
Mai19

Longo Caminho para Casa - Vinte e Oito


Longocaminhoparacasa

                 28

 

Maria, tinha um anjo… Mas de momento ela nem se atrevia a pensar nele… Sabia que se cruzasse com ele, iria ver no seu rosto, a base da cor da bendita chávena de chá.
- Do nosso chá… pensava alto Maria…
O chá que simbolizava o sermão.. Mas desta vez, estaria desenhado a vapor a palavra culpada…
Pintado com a cor de quem reconhece que fez mal, e está a consumir o castigo que merece…
Sabia que quando se cruzasse com o seu anjo, ela não lhe iria apontar o dedo, como todos os outros. Mas também não precisava…
Bastava aquele sorriso de carinho e protecção acompanhado com o olhar que lhe diz por palavras mudas:
- Tu sabias meu amor, eu avisei-te! Tu sabias… Anda cá…. Senta aqui ao meu colo… Minha menina dos canudinhos…. Deixa lá…. Vives-te! Dói, doeu… Mas vives-te sentiste… Sorriste, amas-te e agora…. Agora sabes o que tens de fazer….Anda cá minha menina… Errar é humano… anda cá minha princesinha…
Então, com medo, que o seu incêndio fosse apagado, esvaindo-se o calor numa imensa pedra de gelo, Maria preferia nem pensar no seu anjo. Não a queria encontrar presente numa luz das curvas do seu pensamento… Da sua consciência pesada…
Doía-lhe sentir o peso da culpa… Remoía-lhe a consciência do que sabia ser o bem, e o mal… Mas o pior peso que Maria sentia, era quando “sentia” o seu anjo… O rasgo que sentia no coração era de tal forma forte, que fazia uma ferida…
Quando bebia da cumplicidade do sentimento que a avó iria fruir, quando fossem ambas confrontadas das suas acções…. Da sua atitude.. A dor que Maria sentia, era tremenda… Sentia o que a sua avó, agora anjo, pensava da mesma forma. Pensava como a outra parte de si, também pensava.. Também sentia… Pensava como se fosse ela… Era como se ela fosse a outra parte de si.. Aquela que também sabia que a sua acção, era censurável, mas perdoável… Porque nestas coisas da razão e do coração, nunca há amor sem perdão…Nem nunca há mal que não tenha solução…
Sabia que quando encontrasse o seu anjo, se iria sentir pressionada a tomar uma decisão… A decisão que mais lhe doía tomar… Sabia que ela a perdoava como sempre o fez. Mas também sabia que a iria obrigar a escolher o caminho certo. A seguir o caminho considerado certo, obrigando-a a ouvir a razão!
A avó da Maria, agora seu anjo, sempre tentou vestir o coração com a razão… Mas no fundo, no fundo, Maria sabia que ela a percebia, e que afinal, quando chegavam as duas à tal meta das confissões, o peso do coração era elevado ao da razão…
Maria sabia que ela sempre quis parecer mais racional, do que no fundo era.. Agora percebia que seria porque lhe queria mostrar o valor da razão. A sua dimensão, o valor que a consciência tem…, Queria transmitir-lhe isso para que depois a sua princesa pudesse optar conscientemente. Consciente e armada contra todas as frentes que iria enfrentar para ganhar a sua luta… Para poder decidir com a força da guerreira que ela sempre quis criar…
Mas, Maria sabia tudo isso.. E compreendi-a de uma forma inexplicável…Então, Vivia, sorria.. Vivia a ilusão daquilo que no fundo parte dela lhe dizia ser um engano, enquanto a outra parte a fazia sonhar alto…
No entanto, sabia ser inevitável ajustar contas com o seu anjo…
Agarrou-se à almofada e pediu para que o seu anjo lhe guardasse o sono.
De modo silencioso lhe alisasse, os canudos do cabelo, e por motivo nenhum lhe tocasse na ferida… Largou a almofada molhada com a lágrima que deixou fugir, e murmurou baixinho.
- Desculpa. Desculpa a tua menina, mas o amor, tem destas coisas.. Eu sei… Eu sei.. Eu sei.. Mas eu amo-o tanto.. É um amor especial….. Eu sei que tu também sabes isso.. Também sentes isso…
Perdoa-me e ajuda-me que amanhã vou pecar outra vez… Vou deixar a carne às ordens do coração, e vou alimentar o meu amor, com o corpo que amo, mas, mas tenho consciência, não ser meu…
Deixa-me sonhar meu anjo… Guarda-me o meu sono e orienta o meu coração pelo meu caminho de casa….

CLR

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