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Longo Caminho para casa

A sina, o caminho, ou simplesmente uma história. Um caminho igual a tantos outros, ou, uma história de vida, semelhante a tantas outras vidas. Uma história vivida, ou apenas fruto da minha imaginação.

Longo Caminho para casa

A sina, o caminho, ou simplesmente uma história. Um caminho igual a tantos outros, ou, uma história de vida, semelhante a tantas outras vidas. Uma história vivida, ou apenas fruto da minha imaginação.

17
Mai19

Longo Caminho para Casa - Trinta e Cinco


Longocaminhoparacasa

35

Aquele caminho não foi longo, mas foi demasiado doloroso para ser esquecido.
Mas pior do que isso, foi a ausência. A ignorância, e a omissão.
O viver constantemente no teatro. Viver no reino da representação. Representação de sorrisos, de alegrias, de forças.
Mas havia pior…
Tal como a lua desaparece ao raiar do dia, também ela se escondeu nos raios de sol…
O desaparecimento do anjo odorava a mau pressagio…
Maria deixou de ver o sol, de sentir os seus raios a queimar-lhe o corpo e a derreter-lhe a alma…
Hoje, Maria olha para o Céu, e nas estrelas que lhe molham o rosto recorda, o sol, o anjo e as suas estrelinhas….
Do rosto escorrem-lhe lágrimas com o sal da tristeza e o açúcar da paz… Daquela paz de quem está bem com a sua consciência…
Maria parece que finalmente reencontrara o caminho seguro que a levara até casa.
Sorria escondendo a tristeza e a falta de alegria que foi afogando na ideia de construção da família, que tanto desejara… E que repentinamente se transforma no projecto prioritário e urgente.
Aos poucos foi reconstruindo os cacos do amor que se tinha apagado…
Abriu o coração e deixou-o amar.
Agora, Maria vive um dia de cada vez.
Percebendo que na vida há muitas injustiças e sofrer faz parte dela, como sofre quando pensa nas estrelas que tem no céu…
Os meses foram passando, e as mágoas foram secando. O sorriso foi abrindo até poder sentir a primavera.
O brilho das flores, o calor do sol, o amor do mar e o calor da família que tanto sonhara ter.
Todos os meses Maria rezava a Deus.
Pedia paz e amor, para todos e ao seu anjo, pedia ajuda para superar aquela fase tão difícil e dolorosa.
O pedido era condicionando à concessão do desejo do bisneto que tanto desejavam, só assim a vida fazia sentido para Maria. Só assim aquela luta fazia sentido.
De que servia a vida, se não fosse para dar frutos, e deixar sementes?
Maria não queria deixar mais nada se não o amor. E haveria mais legado do que o amor dos filhos? Conceber, ver nascer, crescer, e amar?
Naquele momento, Maria pensava muito na Morte, no que seria, como seria.
Será que apenas o corpo tem fim?
De repente vem-lhe à lembrança o seu anjo, pensa… Sorriu.....Os anjos estão juntinhos, e de repente dissipavam-se todas as dúvidas, e, sim, apenas o corpo se vai, porque o amor, a lembrança, as recordações o sorriso, esse fica-nos sempre no coração.
Para Maria a luta só fazia sentido se fosse para construir algo, caso contrario, queria sentir novamente o colinho do seu anjo. E o aperto de bochechas do seu avó….
Só assim fazia sentido, por isso tomou a decisão mais difícil da sua morte.
Lutar!
 
CLR

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