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A sina, o caminho, ou simplesmente uma história. Um caminho igual a tantos outros, ou, uma história de vida, semelhante a tantas outras vidas. Uma história vivida, ou apenas fruto da minha imaginação.


13
Mai19

Longo Caminho para Casa - Dez

por Longocaminhoparacasa

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Ele …
Ele era e é aquilo a que se pode considerar de um belo homem!
De cima do seu mais de 1,90m de altura, bem composto, sempre amável e educado nos melhores colégios de Lisboa.
Dividiu a infância entre o bairro de Alvalade, Santa Cruz e umas centenas de cidades Europeias e não só, por onde acompanhava o pai e a família na sua profissão.
Havia algo nele que lhe chamava a atenção, e não era só o seu belo físico ou a sua postura. 
Era o seu carácter, o desafio que ela supunha que ali existia, deixava-a completamente seduzida… Louca, cheia de vontade para lutar, correr mais aquele caminho, só para sentir aquele bichinho na barriga sinónimo de vitória… E depois sorrir. Sorrir e gozar as férias de justiça, de felicidade, de vitória…
Olhos de traição, pele caramelada digna de ter sido também muito beijada pelo sol, cabelo negro, sorriso transparente e sedutor. Vestia um olhar de esguelha, que costumava usar para constatar que ao passar, tinha deixado a sua marca, nas meninas mais bonitas… Ou pelo menos aquelas que mais lhe enchiam a vista, ou que mais lhe interessavam, por ter determinados atributos que o encantavam…
Mulheres seriam então, meros esqueletos com pernas, cú, mamas, e claro, a frente do cú. ! Sim porque bastava um cú para esquecer um rosto…
Desde cedo que ela pôde concluir o que realmente era importante para ele, e que fim poderia ter aquela novela.
Ele parecia querer vingar-se das mulheres. 
Reflectindo em todas as que pelos seus braços passavam, o ódio que sentia pela amante do seu pai…
A D. Manuela, mais conhecida pela secretária/ braço (corpo) direito, do senhor doutor… A acompanhante…. De todas as reuniões no estrangeiro e pelo pais fora…
Só mais tarde ela foi descobrindo estas pérolas acerca deste príncipe mascarado… 
Estes mimos que descobriu num simples homem, bonito e carente.
Reflectia a vingança em todo o sexo feminino que se rendia ao seu charme, deixando-se seduzir estupidamente, entregando-se ao doce e forte poder que os seus braços tinham nesta especie.
Da falta de amor paterno, da revolta familiar, e da dor por ter sido obrigado a fazer um luto de forma tão tragica e precoce do seu grande confidente, amigo, o seu irmão mais velho. 
Aquele que tanta vez ocupou o lugar que o pai deixara vazio enquanto mantinha a sua outra família.
Aquele que de repente acabara de partir para o reino dos sonhos sem qualquer aviso, sem qualquer previsão, sem qualquer imagem deixada como despedida para recordar ou amenizar aquela dor lascivamente efemera. 
Uma morte estúpida, ceifada por duas rodas numa qualquer e maldita Estrada que em pensamento só conseguimos definir como sangrentamente assassina…
Ela sentiu nele o desafio. Aquele desafio. Um incitamento, uma aguilhoada que via num misto de homem forte, carente e quebra corações.
Um anjo doce e com um vozeirão arrepiante. Num tom mélico e lancinante. Do tipo que faz parar qualquer esqueleto funcionalmente racional.
Nada saía dos seus labios que não fosse sentido de forma assertiva.
Seguro de si, extraia o poder disso para entender com firmeza a justiça da vida, com a empatia necessária à ilusão que fazia questão de sentir da vida que então vivia.
Transparente o suficiente para falar e saber ouvir. Sabe ouvir críticas sem partir para o ataque pessoal. Com a postura segura e comedida tipica do homem aparentemente prefeito.
Ela sentiu. Sentiu que estava a lidar com algo demasiado incontrolável. Mas ainda assim, resolveu brincar, fazendo dele o seu fogo… 
Como mulher quente que é, ela sempre gostou de brincar com o fogo… E que mais poderia ser aquele monumento se não lenha para se queimar?
Monumento feito de esqueleto muito bem delineado, modelo coincidente com o corpo trabalhado em demasiadas horas de ginásio, e com um coração enorme, embora fechado, embora ferido….
Ela via nele o seu perfume floral num corpo muito bem suado em vigiado exercício. Prestavel, sempre doce e em forma de indumentária.
Resumindo ele aos seus olhos eram impecável de cheiro, doce e em seu pensamento, delicioso, adivinhando-se a amargura do seu doce sabor…
CLR

 

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publicado às 22:17


2 comentários

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De omeumaiorsonho a 13.05.2019 às 22:29

Um bom texto!

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