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A sina, o caminho, ou simplesmente uma história. Um caminho igual a tantos outros, ou, uma história de vida, semelhante a tantas outras vidas. Uma história vivida, ou apenas fruto da minha imaginação.


21
Mai19

43

Maria adorava o seu refúgio, e nesta fase tão repleta de felicidade queria ir partilha-la com os pais e a família mais próxima.
O seu anjo, tinha voltado a desaparecer...
Mas, desta vez, Maria sentia paz. Não sentia aflição, medo... Sentia que tinha a força que precisava dentro de si, e que estava tudo bem. 
Sentia-se feliz, protegida, e que estava tu
do bem, no céu, e na terra.
Pediu a Filipa que lhe preparasse as roupas e a casa, porque se iriam ausentar durante o fim de semana grande que se aproximava.
Chegada do escritório, Maria pega na trela do Rex, e sorri ao vê-lo aos saltos, como se tivesse molas nas patas.
Vai a sair e ouve o elevador a trabalhar, estava a subir e parou no andar de Maria.
No ar pairava um cheirinho maravilhoso a pudim, acabadinho de fazer, tão maravilhoso que Maria quase lhe sentia o paladar.
Assim que se abre a porta, a vizinha do andar de baixo, a D. Rosa, num esticar de braço passa-lhe para a mão o maravilhoso amora de pudim regado com um excelente sorriso. 
- Aqui tem Maria, um miminho para si. É para comemorar!- disse Rosa
- Oh vizinha, obrigada, muito obrigada – disse Maria com sorriso em voz sumida de tão emocionada que ficou.
Rosa volta a vestir o seu melhor sorriso e diz:
- A avozinha, ia adorar entrega-lo pessoalmente, mas encomendou-me a mim o serviço menina.
Ela está muito contente. Está Radiante!- disse Rosa, ao mesmo tempo que fecha a porta do elevador.
Maria ficou branca como a tinta que revestia as paredes. Subitamente sentiu uma tontura, e numa névoa avista a imagem do Rex transformar-se numa nuvem de rosto conhecido que num salto superior à sua altura, se espavoriu pelo ar.
Filipa, é alertada pelo som do ganido de aflição do Rex, e abre a porta, mesmo a tempo de segurar Maria.
- Maria, que se passa, sente-se bem? Oh valha-nos Deus – lamenta Filipa em tom de aflição, enquanto ampara Maria, para que esta não caísse.
- Eu estou bem, diz Maria vestindo o seu sorriso em modo nervoso
- Já passou, foi só uma Tontura, diz Maria tentando descansar Filipa.
Entretanto chega Luis que fica aflito com o aparato que encontra, à porta.
- Que se passa amor? 
- Nada, está tudo bem, foi só uma tontura própria do meu estado. Ou então foi porque não me apetece ir passear o Rex e apetece-me mais provar esta delicia que a D Rosa me trouxe agora mesmo.
- Numa gargalhada geral, o clima é amenizado.
- Filipa oferece-se para levar o Rex a passear, enquanto Luis acompanha Maria a casa, para saborearem o pudim encomendado pelo anjo a Rosa.
Completamente deliciada, de brilho nos olhos, Maria leva a colher à boca e lentamente sente o paladar daquilo que lhe era tão familiar.
Repentinamente, é acordada do seu estado de êxtase quando sente com um valente esticão dentro da barriga. 
Arregala os olhos, em direcção à barriga, e imediatamente levanta a cabeça à procura do olhar de Luis que de sorriso aberto acabara de assistir à cena mais maravilhosa que alguém pode querer assistir naquele momento.
Acaricia a barriga de Maria, e sente com Maria, o melhor agradecimento e o maior milagre que a natureza lhes podia dar. Sentem o seu amor a crescer, e a interagir com eles.
Era oficial, no céu e na terra, a noticia já era conhecida e estava alí mais que provado a existência de algo tão especial e maravilhoso, não se podia pedir mais nenhum sinal...
O amor respondeu a Maria, quer do céu, quer dentro de si.
CLR
 

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publicado às 23:01

21
Mai19

42

Ela, 

Bom, para ela havia sempre aquela coisa boa e bonita da serendipidade, do desejo imensurável de sorver da vida tudo de bom o que ela tem para lhe conceder. 
Luis apesar de não frequentar estádios de futebol, nem pistas de atletismo, representava para Maria o calor do sol.
E, havia na vida de Maria uma espécie de Sol. 
Um calor!
Aquela estrela que ela colocava no seu céu, todos os dias.
A relação de Maria com Luis, havia levado um abanão, mas, com ele reconstruíram os alicerces, e aproveitaram o calor do sol, para os guiar até casa.
E assim Deus, resolveu colar-lhe novamente uma semente forte e segura, resistente e lutadora, que lhes permitiu cumprir o prometido e festejar o desejo que tanto ansiavam.
Mas, desta vez Maria, queria certificar-se que fazia tudo certo, que não era sua a culpa do que havia acontecido, mas fruto da natureza, da mãe natureza que dizem ser sábia.
Acompanhados pela nova médica escolhida, Maria e Luis decidem fazer o Rastreio combinado precoce, que ocorre em duas fases.
Numa primeira fase, em que é feita uma colheita de sangue entre as 9 e as 12 semanas, combinado com um rastreio ecográfico, uma ecografia que é feita entre as 11 e as 13 semanas. 
E o Rastreio pré-natal de segundo trimestre, que consiste em mais uma colheita de sangue realizada entre as 14 e as 22 semanas para análise bioquímica de Alfafetoproteína (AFP) e Gonadotrofina Coriónica Humana livre (free β-hCG). 
Foi-lhes explicado que este rastreio de 2º trimestre detetaria mais de 98% dos bebés com anencefalia, 90% dos casos de espinha bífida e 80% dos casos de Síndrome de Down e trissomia 18.
Foi-lhes apresentado e rigorosamente “vendido” como o maior avanço na área dos testes Pré-Natais não invasivos, para o despiste das três principais Trissomias (T21, 18, 13) e aneuploidias relacionadas aos cromossomas sexuais (X e Y). 
Permitia a identificação das grávidas que têm um risco aumentado que o seu bebé apresente uma anomalia congénita.
Maria e Luis estavam cientes que o Rastreio Bioquímico Pré-Natal não era um exame de diagnóstico, isto é, dá-lhes-ia apenas a probabilidade de terem um bebé com problemas graves de saúde 
O resultado desse teste ser-lhes-ia apresentado como uma mera probabilidade que era calculada com a conjugação, informática dos parâmetros pessoais de Maria, e os resultados dos parâmetros bioquímicos determinados no sangue, e ainda os parâmetros fetais obtidos por ecografia. 
Tanto na primeira colheita, como na segunda, num sábado de manhã, Maria e Luis, que sempre fez questão de a acompanhar em todas as consultas e exames, dirigiram-se a um laboratório de reconhecido mérito na area destes testes e de analises clinicas
Foi-lhes entregue umas folhas de papel A4, onde deviam preencher vários elementos pessoais de Maria, que eram necessários à determinação do tal risco! Nomeadamente, a data de nascimento, o peso, os hábitos tabágicos/ Diabetes, a Etnia, se era Gravidez resultante ou não de fecundação in vitro (FIV), se haviam Filhos anteriores com Síndrome de Down, etc.
Preencheram a ficha, Maria fez a colheita de sangue necessário e foram-se embora à procura de um pequeno, grande almoço.
A ecografia foi realizada por um conceituado médico da área, que Maria já conhecia há alguns anos, e no qual ambos tinham plena confiança.
CLR

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publicado às 22:40

21
Mai19

Longo Caminho para Casa - Quarenta e Um

por Longocaminhoparacasa

                                          trpolice (1) 

 

Ela...
O caminho, o percurso, a estrada, havia de ser sempre escolhido, sentido, desenhado por si.
Maria adorava desenhar, pintar, correr, escrever, sentir a natureza a praia, o campo, o rio, as flores, os cheiros tudo lhe deixava marcas, tudo lhe trazia lembranças, tudo fazia parte de si.
Pintar, era outro dos seus passatempos preferidos. Outro escape a juntar às corridas, ao exercício, à escrita, a pintura.
Quando não havia mais gavetas para arrumar, Maria desenhava e pegava numa tela, nuns pincéis e algumas tintas e escrevia na tela o que lhe ia na mente.
Arrumava as gavetas, dava uso aos ténis, coloria telas, escrevia blogs, e preenchia as folhas vazias do seu diário com o mapa do caminho por si sentido e percorrido.
Maria pensava que mesmo que nalgum dia se perdesse, por ter atravessado tantos caminhos cruzados, nunca se iria arrepender do seu passado.
Olhava para trás e via várias linhas, umas mais marcantes do que outras mas nenhuma havia sido insignificante. Todas tiveram o seu propósito. Todas elas importantes!
Maria já havia gostado bastante de futebol. Quando andava no secundário, um dos seus passatempos preferidos chegou a ser ir com algumas colegas ver os treinos de um dos grandes clubes da Segunda Circular. Por e simplesmente o Clube do seu anjo.
E como era lindo ver aquele casal de velhotes, amorosos, a transbordar felicidade e amor de mão dada nas bancadas, devidamente trajados à altura a assistir a um dos seus programas preferidos! Um jogo do seu SCP!
Só a imagem já cheira a amor. Casal mais unido, mais puro de maior cumplicidade, de tudo o que se pode imaginar e querer!
Olhar e ver aquilo é sentir, “só eu sei, porque queria muito encontrar aquele caminho para mim”, pensava Maria, a ver os avós de mãos dadas, completamente apaixonados, a trocarem mimos, nos seus passeios por Lisboa.
Maria sorria, quando ouvia a avó a cantarolar, de entre outras canções, a do hino do Sporting. O Clube que lhe enchia o coração de pulos, e lhe fazia subir a tensão, deixando-a ao rubro a assistir a qualquer partida, quanto mais quando do alto dos seus mais de 90 anos, ia com o seu amor, amado, amante, namorado, marido, amigo, companheiro da e para vida, namorar para o estádio do seu clube, não havia coração que aguentasse.
Nem o de Maria que se vertia em lágrimas de alegria e emoção ao vê-los...
Eram o exemplo mais querido! Aquele caminho que Maria queria encontrar e seguir!
Já estavam as estrelas no céu, e com esse pano de fundo, Maria decidiu aceitar por algumas vezes ir aos estádios, na tentativa de atingir aquele clímax que se habituara a assistir.
Numa das vezes foi a convite do Gabriel, bancada VIP, que Maria aceitou não por ser o seu Clube mas por ser o Clube dos seus anjos. Talvez assim o seu sonho tivesse mais perto de se realizar, pensou Maria.
Uma aventura bastante engraçada. Digamos que, nunca viu tanto VIP a cantarolar tanto palavrão em tão pouco metro quadrado!
Maria delirou e sorriu! Gabriel como sempre o cavalheiro, apenas preocupado com a luz do telemóvel de Maria que não se apagava nem por nada!
É melhor atenderes, sugere Gabriel, com um sorriso malandro, deixando escapar o comentário “Eu também ficava em stress se soubesse que a minha namorada se estava a divertir tanto, e com um sorriso tão bonito como está, e....se ela não me atendesse o telemóvel!
- Vá não sejas mauzinho, responde Maria!
Estou assim com um sorriso tão bonito?
- Queres mesmo que te responda? Pergunta Gabriel.
Aquela aventura tivera a sua graça, como todas as que passavam juntos.
Acabou com um jantar na Avenida da Liberdade, e uma série de gargalhadas, quando deixou Maria perto do seu carro e do arrumador enfurecido, que lhe riscava o carro.
Maria era mulher de luvas, e não deu duas gargalhadas, saiu do carro sem se despedir e vai direita ao alvo, deixando Gabriel completamente boquiaberto e desprevenido.
Valeu-lhes Garry e a fuga do arrumador perante a genica de Maria, completamente descontrolada de fúria.
Garry! Lá estava ele de novo!

Noutro dia, Maria visitou a catedral, com o seu querido Manu, vindo do reino dos Algarves, com direito a cachecol e tudo! Esse sim, teve direito a sonhar. Viu as estrelas a brilhar no céu.
Festejos, porque o glorioso também ganhou, cada vez que Maria ia ao estádio, o seu clube tanto o do coração, como o de empréstimo, ganhavam sempre!
Naquele dia até ganharam uma corridinha de fuga entre tamanha confusão de claques, policias, e mal feitores como os de Maria, Manu e os amigos deste!
Não fosse Maria corredora, não estivesse habituada a correr, não se cruzara com aquele sonho, de aroma forte e doce, que a seguiu até ao beco.
Maria encetou a fuga e segundos depois, sentiu que era perseguida. O seu coração saltava de medo, e na sua mente só pensava nas nódoas que iria ter, ou na visita da esquadra desta vez sem toga. O que lhe pairou na mente deu-lhe mais força para correr ainda mais, mas as forças estavam a esgotar-se e a multidão, transformou-se em ainda mais confusão.
De repente sentiu um puxão no braço que a arrastou para uma esquina de um prédio.
Maria primeiro, cerrou os olhos, depois, sentiu um aroma familiar, e num sussurro apertado num abraço sentiu e ouviu um tem calma, fica aqui amor. Fica aqui.
Maria mal o conseguiu reconhecer, com aquele fato, mas aquele cheiro, aquele aperto, aquele abraço, aquele beijo na testa e aquela voz... Era António! Maria não conseguiu dizer uma palavra.
Antonio levantou-se e ordenou aos camaradas, que seguissem em frente.
- Vieste sozinha? Perguntou António
- Não, responde Maria, ainda a tremer.
- Então e o parvalhão do gajo que te trouxe está onde? Pergunta Antonio
- Maria levanta o olhar e vê Manu à sua procura do outro lado da estrada, e acena com a cabeça.
- António, dirige-se a Manu chama-o.
Manu identifica-se, e António irritadíssimo ordena-lhe:
- Bem, leva-a daqui em segurança se fazes favor, achas que és capaz?
Maria ficou ali, sentada no chão ainda por um bocado, a sentir o corpo a tremer, até que Manu lhe dá a mão e a ajuda a levantar.
Acompanha-a até ao metro e onde duas linhas se cruzam, cada um seguiu o seu caminho.
Onde duas linhas se cruzaram... Cada um segue o seu caminho.
Maria segue de carro, até casa, sentindo que o clímax dos estádios tinha acabado!
O amor já existia!
Só precisava de encontrar o caminho até casa.
Cruzasse as linhas que cruzasse, caminhos que encontrasse, estradas que percorresse, o seu caminho era o mesmo!
E o sinal era o de que, estava sempre a cruzar-se com o caminho, o caminho de casa!
CLR

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publicado às 00:03


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