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A sina, o caminho, ou simplesmente uma história. Um caminho igual a tantos outros, ou, uma história de vida, semelhante a tantas outras vidas. Uma história vivida, ou apenas fruto da minha imaginação.


16
Mai19

                34

 

Luis era um verdadeiro sapo.
De cima do seu quase 1,90m de altura, amável e educado num dos melhores colégios da margem sul.
Dividiu a infância entre uma quinta de familia, um colégio, e alguns lugares tradicionais da zona.
Uma verdadeira caixinha de surpresas.
Foi mentor de uma radio amadora que conseguiu estar no ar clandestinamente enquanto houve vontade de continuar o projecto.
Criou e dirigiu alguns projectos sociais, alguns núcleos, e mesmo enquanto estudante foi membro de varias associações, inclusive da associação de estudantes..
Um jovem de ideias e convicções politicamente muito fortes.
Fruto da vinculação a um partido politico de que era simpatizante. Simpatizante porque a sua rebeldia não permitiu maior vinculação.
Para Maria, Luis era um diamante em bruto. 
Era necessário ajuda-lo a ver-se ao espelho, para que desse mais valor ao seu fisico.
Na verdade Maria adorava o carinho, o apoio, a atenção, a disponibilidade que aquele homem sempre tão ocupado, conseguia sempre encontrar para estar com ela, para a mimar, para a cortejar.
Sentia que Luis não tinha consciência do seu potencial. E para Maria bastava apenas, um corte de cabelo diferente, um par de trapinhos, e aquele sapo descuidadamente disfarçado, depressa se transformaria não num Deus grego, mas num verdadeiro homem sedutor, demasiado atraente e espectacular para passar despercebido a qualquer rabo de saia.
Luis, fez da Universidade a sua própria casa, e descuidou.se de si. Deve ter parado no tempo há pelo menos 5 anos.
Tornou-se num amigo, amante e namorado demasiado atencioso, preocupado, e carinhoso para não lhe conquistar o coração.
Passados poucos meses não era só o seu físico ou a sua postura, já havia mais qualquer coisa. 
Luis tinha-se tornado naquilo a que se pode considerar de um belo homem, excelente companheiro e amante.
O apoio e a segurança que Luis lhe dava deixou Maria verdadeiramente seduzida… Louca, cheia de vontade para lutar, correr mais aquele caminho, que tão difícil se revelava. 
CLR

 

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publicado às 22:36

16
Mai19

Longo Caminho para Casa - Trinta e Três

por Longocaminhoparacasa

                                           33

Maria tinha voltado a sonhar como seu anjo mas naquela noite, sentia aquele apoio duplamente maternal ao rubro.
- Não tens de te preocupar, só tens de seguir o teu coração, e cuidar de ti meu doce, cuidar de ti! Percebes o que te quero dizer? Faz o que te propõem, mas tudo de olhos abertos. Decide com a cabeça minha querida.
Maria acorda sobressaltada, com o coração a saltar-lhe do peito.
Aconchega a cabeça na almofada e agarra-a com tanta força, que sente estalar cada osso que tem nas mãos. 
E num soluço de grito molhado, sente o aconchego do seu anjo na cabeça.
Aliviada Maria, sente que tomou a energia necessária para seguir em frente e enfrentar o que fosse preciso.
De repente toca o telemóvel, Maria.
- Estou amor, é só para te mandar mais um beijo, e já agora saber onde nos encontramos, pergunta-lhe Luis
- Não sei., responde-lhe Maria
- Já estou a caminho, apanho-te em tua casa, estou a conduzir tenho de desligar, beijo, até já, responde-lhe Luis apressadamente não porque estava a conduzir, mas porque temia que Maria mudasse de ideias. 
Após bastante insistência, Maria tinha aceite que Luis a acompanhasse na consulta que tinha marcada com a médica.
Maria sentia o peso do apoio no braço que tinha pelos ombros. 
No percurso até ao carro, de vez em quando, Luis, puxava Maria até si, e dava-lhe um beijo na cabeça, segredando, vai correr tudo bem vais ver. Não vai acontecer nada, vai correr tudo bem!
Entraram no carro e o silêncio permanecia. Só era interrompido pelo olhar que Luis lhe deitava aquando de cada paragem que teve de efectuar aos sinais vermelhos. 
-Estás bem?, perguntava-lhe Luis, seguido de mais um abraço e um beijo.
Hein?
- Sim. disse Maria em voz sumida, esboçando um sorriso numa tristeza e medo muito mal disfarçadas.
- Tem calma, ela é uma excelente médica e foi Directora de Serviço do IPO, pelo que é muito competente, não achas? Não confias nela? pergunta-lhe Luis, numa tentativa de desbloqueio do silêncio de Maria.
Fala comigo amor ! Maria, estás bem? insiste Luis, enquanto estaciona o carro.
- Sim, responde Maria. 
Quero pedir-te uma coisa, solicita-lhe Maria
Se não te importas, eu subo sozinha, porque estou a precisar de dormir, e ficar sozinha comigo e com o meu pensamento.
- Não, Maria. Eu prometo que não te digo mais nada. Faço-te o jantar, levo-te o Rex à rua e fico no meu cantinho. Jantas sozinha no quarto se quiseres, e se quiseres até posso dormir na cama do Rex. Agora não me peças para te deixar sozinha hoje, por favor.
Eu escondo-me na dispensa, ok? Responde-lhe Luis em tom demasiado agudo e convicto.

CLR

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publicado às 22:32

16
Mai19

Longo Caminho para Casa - Trinta e Dois

por Longocaminhoparacasa

                                         32

Um dia quando olhares para trás verás que os dias mais belos foram aqueles em que lutaste!
Não podia estar!
Aquilo não era normal, estava tudo menos bem.
Mal aqueceu a cadeira, resolve pegar nas pastas dos processos denominados por si “112”, e saiu porta fora.
Abriu a porta de casa, e foi em direcção ao espelho da casa de banho onde tentou reconhecer aquele rosto, mas sem sucesso pensou, tenho de resolver isto.
Sentou-se na secretaria e ligou o computador.
A piscar a janela do Messenger, 
- Bom dia, beijo
Tem um bom dia, como estás sentes-te melhor?
- Olá bom dia, então como estás?
- Eu estou bem, e tu estás melhor? - pergunta Luis em modo preocupado e afectuoso.
- Estou hoje até fiz gazeta!, responde Maria a tentar amenizar a coisa.
- A sério, jura? A sério? Só falta dizeres que até já foste fazer a tua corridinha diária matinal!
- Não isso não fiz.
- Quando vais ao médico? Quando vais fazer os exames? - pergunta Luis angustiado.

CLR

 

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publicado às 22:23

16
Mai19

Longo Caminho para Casa - Trinta e Um

por Longocaminhoparacasa

             31

Maria reconheceu-a de imediato…
No sonho também era noite, a lua estava linda e estava a chover…
Ela esboçava um sorriso lindo, e com a mão, aconchegava a cabeça de Maria, num gesto puro e doce de empatia e compreensão.
Ela foi muito feliz!
Viveu uma vida longa de idade e bastante de sorrisos. Mas curta, porque fazia tanta falta a Maria. 
Com ela Maria teve experiências únicas e maravilhosas, que nos momentos de nostalgia regressam para lhe preencher e inundar o coração de lagrimas molhadas. 
E as memórias, eram tantas e tão boas, que ela não as queria deixar ir. Não queria nem quer! Mas, a vida dela hoje não é aqui! , pensa Maria...
Maria foi literalmente apedrejada por palavras que jamais pensou um dia ouvir. Palavras que lhe feriram não os sentimentos, mas o coração!
Ela morreu, por dentro e por fora, pelo que ouviu do seu anjo.

" Minha querida, minha menina, meu amor, 
Há dias em que pomos vírgulas, colocamos reticências em que pomos pontos finais, e há dias em que temos necessidade de virar a página, tens de cuidar de ti, não te descuides coração!
Não tenho o meu colo preparado minha querida. 
Um dia quando olhares para trás, verás que os dias mais belos foram aqueles em que lutaste!"

A luz do coração de maria por momentos apagou-se. 
No sonho Maria podia ver o seu próprio coração, e tinha naquele preciso momento a cor da noite, a cor das cinzas, de algo que tinha acabado de se queimar. Maria chorava não só em sonho, chorava, chorava por fora e por dentro do seu coração.
Maria acorda.
Acordou do sonho e da vida ou para a vida.
Levantou-se e depressa sentiu a água a lavar-lhe não os braços, o rosto, ou os pés mas a alma.
Pega na chave do carro, e seguiu.
Desceu as escadas do metro com facilidade que já não as conseguiu subir.
Chegada ao cimo das escadas pensou se teria fôlego suficiente para seguir a Avenida até ao escritório, mas lá conseguiu.
- Bom dia doutorinha, está tudo bem? Pergunta a Carmen
- Bom dia Carmen, sim está tudo bem, responde a Maria
- De certeza doutorinha, não parece?
- Sim está tudo, obrigada

CLR

 

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publicado às 22:17

16
Mai19

Longo Caminho para Casa - Trinta

por Longocaminhoparacasa

                    30

No caminho, Maria seguia o pensamento que as ideias soltas permitiam. A ideia da rosa tornou-se persistente na sua memória de medo e alegria pintando-lhe as ideias.
A rosa era linda. Vermelha. Mas a esperança que ela simbolizava, essa esperança tinha murchado…
Maria estava com medo do reencontro, mas também se sentia a transbordar de felicidade. De tal modo que parecia sentir um tremor de terra dentro de si.
Mal chegou, procurou logo o carro dele. Não estava. Ainda não tinha chegado. Ela tinha chegado primeiro, como desejava que acontecesse.
Subiu apressadamente, fez umas festas ao Rex, enquanto o acompanhava à rua, para que fizesse as necessidades o mais rapidamente possível. Ele parecia não cooperar, parece que cheirava tudo quanto é arvore, e parecia louco atrás da sua princesa canina com cio.
- Despacha-te Rex, implorava Maria.
- Pronto, já chega vamos embora, que a dona está com pressa.
Entrou em casa, e pôde ver o seu ar de angústia no espelho do hall.
Tenho de me acalmar, estou demasiado ansiosa… pensa Maria
Um toque no telemóvel, faz com que corra para a janela, levando os móveis que se atravessaram no caminho. Só para o poder espreitar a sair do carro, e o admirar…
Lindo como sempre… Eu adoro este Homem….. Pensa Maria.
Podia sentir o elevador a subir, e contar os andares, como se lá viesse. Mal abre a porta, a sua mente foi inundada por uma avalanche de tinta branca, o pensamento pára, e só sente as batidas dos dois corações juntos num abraço molhado de beijos e apertos de amor repleto de saudade.
Passados uns minutos, ficam os dois de lábios a tocarem-se olhando um ao outro nos olhos, como quem diz, amo-te tanto.. Mas tanto…
Soam palavras em duo:
- Amo-te tanto Nina/no.. Tive tantas saudades tuas. Estava tão ansioso/a por te ver!
Gargalhada total!
-Eu não acredito nisto! Será possível que possamos falar assim os dois, sempre um ao outro, espontaneamente as mesmas coisas, ao mesmo tempo?
-Mas o que é isto amor? O que é isto? Pergunta-lhe ele.
Num gesto as roupas voaram, e saciaram os corpos sedentos de amor, ali mesmo…
Abraçados um ao outro na cama, gozavam das sensações de corpo exausto, e sem forças para ir á cozinha buscar algo que lhes alivie a sede e alimente repondo energia aos corpos cansados. Mais um beijo, e são interrompidos..
Toca o telemóvel dele, são nove da noite.
-Desculpa amor.
-Tudo bem, atende. Diz Maria tentando sorrir
- Já volto amor. Desculpa. Diz ele, enquanto num pulo, sai da cama e se afasta do quarto.
Mal ele saiu da cama, Maria agarra-se com toda a força à almofada libertando a força da sua raiva e de tristeza…
Sentia-se frágil e carente… Mas, não podia chorar, nem mostrar parte fraca! Que bem lhe sabia o colo do seu anjo… O abraço… A companhia… O chá… O seu aval…
Ela tinha sido uma perda incrível… Maria ficara inconsolável quando viu o corpo ser entregue à terra… Recusava-se a aceitar… Ficou dias e dias assim… Não vivendo. Recusando-se a aceitar que iria perder para sempre o corpo da mulher que tanto lhe ensinara, que tanto amor lhe ensinara a dar…
Um dia, num sonho acordado sentiu uma voz que lhe era familiar, uma imagem numa claridade cegante… Reconheceu-a de imediato…
Era noite, a lua estava linda e estava a chover…
"Há dias em que pomos vírgulas, colocamos reticências em que pomos pontos finais, e há dias em que temos necessidade de virar a página"

CLR

 

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publicado às 22:10

16
Mai19

Longo Caminho para Casa - Vinte e Nove

por Longocaminhoparacasa

29Acordou num sorriso molhado…

Era hoje o dia!
Sentia-se feliz… Levantou-se vagarosamente, e correu para o espelho da casa de banho, onde pôde ver no rosto, a alegria misturar-se com o medo.
Sentia o coração apertado. Depois de tudo o que aconteceu. E hoje era a primeira vez que Maria ia ver o seu amado, depois de ter dado o tal passo em frente, por isso sentia-se aliviada mas com medo.
Tinha medo de estar errada quando decidiu deixar a vida estável que tinha, por um amor incerto, uma relação censurada…
Sentia-se estranha.. E não se devia ao facto, de só ela ter dado o tal passo. Até porque ela nunca pressionou nesse sentido! Ele sempre a fez sonhar com enredos de romance… De vida a dois… As palavras mascaradas de esperança sempre existiram.. E viver o futuro era o lema.. Esperar que o tempo passasse e que um dia tudo mudasse!
Mas, Maria sentia um aperto no coração. Pressagiava, que nem tudo lhe tinha sido narrado… No fundo sabia que tudo seria ilusão… Mas a outra parte dela acreditava no sonho, no amor, no coração! Ela sentia… Sentia-se estranha…
De repente o pensamento de Maria ilumina-se pela recordação que tinha do sorriso dele… No espelho vê a sua imagem a transformar-se na rosa que guardava… A rosa, continuava consigo… Tinha-a guardado para sempre no seu coração… Tinha-a ali ao lado, a longos quilómetros de distância, mas estava presente… Sempre presente… E chegara o momento de se verem, de se tocarem, de se sentirem com a mudança!
Resolveu mimar-se para ele…
Não prescindiu do banho caprichado, de uma hora para escolher a indumentária e da imprescindível sessão de massagens no Saldanha.
Estava no escritório a contar os minutos até as 16h. As folhas dos processos bailavam-lhe nas mãos. As páginas dos códigos moviam-se sozinhas, e o texto dos artigos era sempre o mesmo, “Amor estou a passar a ponte, estou a chegar”
- Dra. Eu sei que me pediu para não lhe passar mais nenhuma chamada, mas tenho o senhor engenheiro Fred ao telefone.
- Carmen, já disse que eu estava?
- Não, Dra. Disse que estava de saída mas não sabia se já tinha saído.
- Já saí… Já estou a caminho de casa. Agora vou pegar no processo do AMOR,..
- Desculpe?
-Até amanha, Carmem. Bom fim de semana…
- Então amanha a Dra não vem?
- Não, amanha vou ter reunião o dia todo, do processo mais complicado que tive até hoje. O do Amor! Qualquer coisa, dê-me um toque para o telemóvel, se faz favor. Bom fim de semana!.
- Ah ah ah está bem dra, bom fim de semana. Divirta-se que bem precisa!
Vou divertir com certeza Carmem.
- Amor, já estou a passar a ponte! Beijo com AM, que já to vou dar pessoalmente, Amo-te

CLR

 

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publicado às 22:04

16
Mai19

Longo Caminho para Casa - Vinte e Oito

por Longocaminhoparacasa

                 28

 

Maria, tinha um anjo… Mas de momento ela nem se atrevia a pensar nele… Sabia que se cruzasse com ele, iria ver no seu rosto, a base da cor da bendita chávena de chá.
- Do nosso chá… pensava alto Maria…
O chá que simbolizava o sermão.. Mas desta vez, estaria desenhado a vapor a palavra culpada…
Pintado com a cor de quem reconhece que fez mal, e está a consumir o castigo que merece…
Sabia que quando se cruzasse com o seu anjo, ela não lhe iria apontar o dedo, como todos os outros. Mas também não precisava…
Bastava aquele sorriso de carinho e protecção acompanhado com o olhar que lhe diz por palavras mudas:
- Tu sabias meu amor, eu avisei-te! Tu sabias… Anda cá…. Senta aqui ao meu colo… Minha menina dos canudinhos…. Deixa lá…. Vives-te! Dói, doeu… Mas vives-te sentiste… Sorriste, amas-te e agora…. Agora sabes o que tens de fazer….Anda cá minha menina… Errar é humano… anda cá minha princesinha…
Então, com medo, que o seu incêndio fosse apagado, esvaindo-se o calor numa imensa pedra de gelo, Maria preferia nem pensar no seu anjo. Não a queria encontrar presente numa luz das curvas do seu pensamento… Da sua consciência pesada…
Doía-lhe sentir o peso da culpa… Remoía-lhe a consciência do que sabia ser o bem, e o mal… Mas o pior peso que Maria sentia, era quando “sentia” o seu anjo… O rasgo que sentia no coração era de tal forma forte, que fazia uma ferida…
Quando bebia da cumplicidade do sentimento que a avó iria fruir, quando fossem ambas confrontadas das suas acções…. Da sua atitude.. A dor que Maria sentia, era tremenda… Sentia o que a sua avó, agora anjo, pensava da mesma forma. Pensava como a outra parte de si, também pensava.. Também sentia… Pensava como se fosse ela… Era como se ela fosse a outra parte de si.. Aquela que também sabia que a sua acção, era censurável, mas perdoável… Porque nestas coisas da razão e do coração, nunca há amor sem perdão…Nem nunca há mal que não tenha solução…
Sabia que quando encontrasse o seu anjo, se iria sentir pressionada a tomar uma decisão… A decisão que mais lhe doía tomar… Sabia que ela a perdoava como sempre o fez. Mas também sabia que a iria obrigar a escolher o caminho certo. A seguir o caminho considerado certo, obrigando-a a ouvir a razão!
A avó da Maria, agora seu anjo, sempre tentou vestir o coração com a razão… Mas no fundo, no fundo, Maria sabia que ela a percebia, e que afinal, quando chegavam as duas à tal meta das confissões, o peso do coração era elevado ao da razão…
Maria sabia que ela sempre quis parecer mais racional, do que no fundo era.. Agora percebia que seria porque lhe queria mostrar o valor da razão. A sua dimensão, o valor que a consciência tem…, Queria transmitir-lhe isso para que depois a sua princesa pudesse optar conscientemente. Consciente e armada contra todas as frentes que iria enfrentar para ganhar a sua luta… Para poder decidir com a força da guerreira que ela sempre quis criar…
Mas, Maria sabia tudo isso.. E compreendi-a de uma forma inexplicável…Então, Vivia, sorria.. Vivia a ilusão daquilo que no fundo parte dela lhe dizia ser um engano, enquanto a outra parte a fazia sonhar alto…
No entanto, sabia ser inevitável ajustar contas com o seu anjo…
Agarrou-se à almofada e pediu para que o seu anjo lhe guardasse o sono.
De modo silencioso lhe alisasse, os canudos do cabelo, e por motivo nenhum lhe tocasse na ferida… Largou a almofada molhada com a lágrima que deixou fugir, e murmurou baixinho.
- Desculpa. Desculpa a tua menina, mas o amor, tem destas coisas.. Eu sei… Eu sei.. Eu sei.. Mas eu amo-o tanto.. É um amor especial….. Eu sei que tu também sabes isso.. Também sentes isso…
Perdoa-me e ajuda-me que amanhã vou pecar outra vez… Vou deixar a carne às ordens do coração, e vou alimentar o meu amor, com o corpo que amo, mas, mas tenho consciência, não ser meu…
Deixa-me sonhar meu anjo… Guarda-me o meu sono e orienta o meu coração pelo meu caminho de casa….

CLR

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publicado às 18:55

16
Mai19

Longo Caminho para Casa - Vinte e Sete

por Longocaminhoparacasa

                 27

Mais um quilómetros aos ténis, e depois de devidamente trajada, resolve seguir o seu caminho.
Maria entrou no carro, ligou a chave, puxou o cinto, ligou as luzes e seguiu a estrada…
Seguiu a medo, com o coração cheio de amor, de loucura de esperança…
Libertando o sorriso receoso, Maria tinha fé no seu destino, no seu caminho…
Seguia pensando na decisão que tomara, olhando para a estrada, via o seu caminho.
O caminho mais longo que fez até casa… Ouvia o som do rádio que à medida que avançava, se tornava mudo e as luzes cegantes…
O céu estava escuro, a temperatura gelada e no seu rosto caíam as gotas de chuva que há horas estavam a ser bloqueadas… As gotas que com mais ou menos êxito tinham conseguido ser disfarçadas, ao mesmo tempo que eram contraídas cada vez mais as rugas que na testa lhe despiam o sentimento de melancolia, de fragilidade…
De repente, viu as nuvens dissiparem-se uma a uma. O sol, começava a brilhar radioso, tentando aquecer a sua alma, derretendo a sua dor.
A decisão estava tomada. Havia que seguir em frente, e beber da novidade.
Esperar, era a ordem! O tempo era a bússola que lhe iria indicar o caminho…
Estacionou, em frente à porta.
Resolver primeiro levar o seu companheiro a passear, aproveitando para esticar as pernas, enquanto ele fazia as necessidades…
Subiu carregada das malas e das recordações que não conseguiu esquecer quando entrou em casa…
Ainda com o copo de água na mão, com que matou a sede, Maria resolveu ligar o computador, para espreitar se ele estava online, mesmo antes de lhe responder à sms que onde lhe informaria que tinha chegado bem. Que tinham feito boa viagem… Ela e o seu mais fiel companheiro… 
Estava online.. De sorriso aberto, resolveu ficar a olhar para a janela do Messenger, e começou a escrever:
- Já cheguei amor, fizemos boa viagem. Viagem muito cansativa, mas já chegamos!
- Ainda bem amor, beijo para ti! Amo-te Muito e estou cheio de Saudades! Um abraço e um beijo muito apertado para ti e uma festinha ao REX! Até amanhã amor, não vejo a hora de te abraçar!
- Também eu, beijo, com AM.
CLR

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publicado às 18:49

16
Mai19

Longo Caminho para Casa - Vinte e Seis

por Longocaminhoparacasa

26

Saltou da cama ainda não eram sete da manhã.
Veste o top, os calções e os ténis, e lá vai ela, para o seu treino matinal.
Maria, olha pelo retrovisor e avista o caminho que deixou para trás num sorriso de uma grande amizade. Uma amizade muito especial.
Dirigiu novamente o seu olhar para a frente, e deixou-se enfeitiçar pela cor do carro preto que seguia à sua frente… Cor, Marca, Modelo igual ao de Michael…
As estrelas ainda não se tinham recuperado do que viam, já presenciavam a comparência de novo ser…
Um ser que lhe ocupara amigavelmente o coração e a vida ha quase uma mão cheia de anos…
Levou a mão ao rosto, esticou os dedos que lhe limparam as gotas do mar, que sentia escorrer dos olhos…
As nuvens estavam curvas aos seus olhos, desenhando um ponto de interrogação…
No canto escorria uma lágrima do texto já escrito, por quem sabe o que se vai passar…
Deixar uma vida para nada… Lutar por nada… Apostar na solidão…
Sim era assim que ela no fundo imaginava ter sido o resultado da sua ultima opção.
Na rua, numa poça de água, espelha-se uma imagem num misto de medo, alegria e tristeza…
Maria, sabia… Pressentia, que nem tudo lhe tinha sido contado. Ela sabia…
Estaciona o carro junto à falésia.
Resolveu sair do carro, só para melhor sentir a brisa..
No chão, vê uma rosa, a mesma que tinha trazido consigo, há mais de um mês atrás…
Aquela de que tinha esperança…
Curva o esqueleto e segura-a com firmeza. No dedo fica travado um espinho. Ela leva o dedo junto dos lábios, toca no espinho e dá-lhe um beijo, sussurrando amo-te…
- Amo-te… Meu amor, Amo-te!
Foram mais de 10 quilómetros que limparam todas as mágoas, libertaram o sorriso e soltaram palavras ainda que solitariamente ouvidas.
CLR

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publicado às 13:19

16
Mai19

                                    0225

 

LONGO CAMINHO PARA CASA - VINTE E CINCO (SEGUNDA PARTE)

Tanto um como outro dois excelentes amigos, ligados pelo gosto comum ao Rugbye ao Futebol. De gostos futebolisticos completamente opostos, tanto entre si, como com os de Maria. Facto que por vezes se relevou elemento de algumas gargalhadas e picardias humoristicas entre ambos.
Dois verdadeiros homens de negócios, maravilhosamente bem sucedidos nos negócios, mas aparentemente também eles muito mal resolvidos no amor.
Tal como o Rugby, revelaram-se almas coletivas de intenso contato físico, constituidos por jogadas irregulares da vida, marcando apenas o ensaio e o gol separadamente.
Todos constatavam a variação do valor do ensaio e da conversão e já decorriam alguns longos anos, e isso tornava-os cada vez mais unidos e mais amigos.
Mas, depressa se aperceberam do aumento do valor do pontapé de ressalto bem como do de penalidade, e tudo se resolve. Tudo se esclarece.
Maria, de facto podia não ter sido bafejada pela sorte do amor, mas sem duvida era uma felizarda nas amizades que lhe surgiam.
Tinha o coração cheio de amor, e a vida de grandes amizades.

CLR

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publicado às 09:22

16
Mai19

                                      0125

 

LONGO CAMINHO PARA CASA – VINTE E CINCO (Primeira parte)

A semana tinha sido passada numa nuvem de ansiedade.
Eram contadas as horas, os minutos sublinhados e os segundos riscados, como numa selecção de horas.
Entre horas boas e más, em detrimento do que pressentia estar a chegar…
Conduzia admirando as cores pintadas no céu pelo Sol.
A beleza daquele quadro fê-la voar como a gaivota salpicada de ondas, que avistava. Vinha fugida do mar, em direcção a si…
Adorava passar naquela estrada, quase beijada pelo mar...
Devagarinho, de janela aberta, podia sentir a brisa da maresia, e embriagada por ela, nunca deixava de sonhar…
Enquanto seguia na estrada, Maria, deixou-se voar. Na tela passou o filme do seu Longo Caminho para casa.
Passavam na sua mente, em câmara lenta, uma serie de episódios, com uma serie de personagens… Entre lágrimas e sorrisos, ficava-lhe sempre no rosto uma ruga de saudade, uma expressão de sorriso, uma boa recordação.
Sentia que tinha um dom. O Dom de aproveitar só o lado bom das coisas.
Quando transformava o mau, em lição de vida, restaurava-o, pintando-o da cor do sorriso, do perdão…
Tudo fica azul, bonito como o mar, como céu…
Amarela como a areia da praia, ou, tórrido como a cor do Sol…
Pensava na vida, na amizade, procurando explicações para os acasos de encontros e desencontros, regados com sorrisos.
Pensou no Garry e o sorriso abriu-se … Um grande homem, um grande amigo, sem duvida…
Maria sentia-se uma felizarda. Tinha alguns bons amigos, que podia considerar verdadeiros!
António, trajado com o seu fato protector de seda bordada no seu sorriso de galã. Mas um optimo amigo, uma optima pessoa.
Filipe, uma rosa em botão, navegando na ponte, olhando para trás e soltando um abraço quebra ossos quase tão sentido como imaginado…
Michael, e Gabriel, o primeiro plantado em lages e seguro na vida como fortes ramos colados às árvores, o segundo fruto da cepa forte, com grandes bagos doces e saborosos.
Grande postura, e educação requintada. Viviam num mundo completamente do de Maria. Mas isso não os impedia de disfrutarem de uma belissima e engraçada amizade.
CLR

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publicado às 09:19

16
Mai19

Longo Caminho para Casa - Vinte e Quatro

por Longocaminhoparacasa

                            24

 

Maria fechou o coração para o reino. Construiu-lhe um muro bem alto ao redor, e não deixou entrar ninguém.
Para Maria a vida já se trajava com algumas faces. Alguma magia, de alguns paraísos maravilhosamente construídos, de alegrias, de algumas vitórias e conquistas alcançadas, mas acima de tudo de muitos sorrisos!
A vida para Maria não tinham sido só lágrimas, tristezas, fustigações, e desafetos. Não eram só amarguras, de solidão e da imensidão. A vida de Maria não era assim.
Mas naquele momento havia um vazio que a devasta. O seu coração estava frágil e havia que protege-lo..
E agora, estava ela ali… Debaixo do alpendre, sentada na cama de baloiço, vendo as nuvens passar, segredando-lhes a lágrima do percurso que ela mesma acabara de fazer… E agora perguntava-se….
Para onde seguir? Que caminho será o seu?
Maria, procura no céu uma resposta, mas do sol, nada vê…
A tarde estava fresca, no céu estavam pintadas as nuvens… O cinzento do dia, molhava a sua vida, como quem se despedia do verão, e abria portas ao Outono…
A sua pele estava arrepiada, como quem precisa de calor… Como quem precisa de sol… Como quem queria ser aquecida com o amor do sol… Mas, o céu continuava cinzento, a luz, tal como o sol, tapada pelas nuvens do dia… E naquela tarde, Maria, sentia no rosto as gotas de chuva caídas do céu. No céu rompiam relâmpagos e trovões gritando tristeza, como quem se despedia do sol, quente e radiante…
Maria, ergueu-se sentindo a chuva… Levantou o rosto para o céu, e em voz muda gritou ao sol:
- Todas as noites irei tentar ver a lua, amor… Todas as manhãs, em que verei o nascer do sol, em todas as tardes que esperarei pelo por do sol, em todas as noites que esperarei pela lua, eu irei-me lembrar de ti… Irei-me lembrar de nós….
Depois, levou a mão aos lábios, e enviou um beijo …
O sol, sobrepôs-se à nuvem que o cobria, como quem tinha ouvido a musica e sorriu.

CLR

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publicado às 08:56


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