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A sina, o caminho, ou simplesmente uma história. Um caminho igual a tantos outros, ou, uma história de vida, semelhante a tantas outras vidas. Uma história vivida, ou apenas fruto da minha imaginação.


15
Mai19

         23 2

 

LONGO CAMINHO PARA CASA – VINTE E TRÊS (continuação)

Bem, na verdade, este sentimento é confirmado por todos aqueles que lá entraram, e que conheceram um pouquinho do seu coração, que conviveram com o seu sorriso. Esses raramente querem sair…
Maria, estava agora em frente a mais uma mazela, mais uma ferida. Mais uma mágoa, mais uma cicatriz. E desta vez sentia-se verdadeiramente derreada, enganada, e vencida pela mentira.
Mais uma vez a mentira, a confiança havia sido quebrada, e o coração estava despedaçado. 
Mas, agora havia que seguir em frente… Limpar as lágrimas e primeiro resolver as coisas. Depois, o que tiver que se arranjar, os pedaços do coração que tiverem de ser concertados ou curados, o que tiver que ser feito, Maria fará. Seria desta vez que Maria fechava o coração para o reino deste mal?
Maria, resolveu escrever. Os desabafos passados a letras amorteciam-lhe a dor, passando a ser um óptimo medicamento.
Um blog, de uma ninfa, cheio de chocolate, desabafos e amor.
Naquele dia Maria escrever:
Hoje
Hoje desejo recordar 
quem por mim passou.
Hoje apetece-me desejar 
os abraços e os beijos,
as palavras e os olhares,
o amor desenfreado
o desejo a latejar
os sorrisos e os toques
os momentos de mãos dadas a conversar
os corpos
na loucura do desejo 
e os jogos proibidos
as promessas de prazer que ficaram por cumprir
as mensagens loucas a meio da noite 
e aquelas que nunca chegaram...
Hoje apetece-me recordar 
sentimentos e momentos
os sorrisos e as lágrimas, 
misturados algumas vezes
com a conquista do amor e do prazer...
Hoje QUERO recordar 
quem me fez sentir desejada e amada
quem me secou as lágrimas da alma
quem me fez abrir o coração
quem me soube ler e sentir
quem me fez sorrir.
Hoje RECORDO o quanto amei 
penso em quem desejei
e um dia chegou à minha vida 
e nunca dela quis sair...
HOJE

CLR

 

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publicado às 23:07

15
Mai19

23 1

 

LONGO CAMINHO PARA CASA – VINTE E TRÊS

E ali acabara de brotar a semente do sentimento mais digno que pode no mundo existir… Mas, tal como pressentido, depressa da rosa brotou o espinho presentido mas maravilhosamente desconhecido até então. No coração de Maria explodiu a mágoa. 
Mas ela sentia-se destroçada e que não conseguia ser forte o suficiente para fazer esquecer o amor… Outra coisa que Maria já tinha aprendido é que o amor, está para distância, como o vento está para o fogo. Se o vento, for forte incendeia, se for fraco apaga o fogo… 
O da Maria tinha sido forte o suficiente para incendiar e depois se transformar num misto de sentimento nobre onde reinava a amizade, o carinho, uma espécie de amor platónico e respeito… Acima de tudo respeito… 
Ficaram as cinzas!
É este o sentimento aristocrata, que nunca deixara de sentir, por quem Maria deixou entrar e permitiu que lhe beijasse a alma.
O coração de Maria tem um salão enorme. Grande, mas sem grandes luxos. Apenas com um conforto resumido ao amor, carinho e dedicação… Diz quem a conhece que, depois de lá entrar e beber do seu chá de entrega, é impossível esquecer… Pode vir no mundo a tempestade que os obrigue a sair, mas esquecer nunca…
Muitas vezes, Garry dizia por palavras mudas, do alto do seu clamoroso sorriso branco: - É impossível não ficar derretido perante tamanha beleza, perante tamanha simplicidade, perante tamanha entrega, perante tamanha dedicação…
Depois da sua boca saiam beijos que lhe traziam mimos tais como:
- És linda princesa, linda… E não é só linda de carne… É nesse teu reino do coração! É esse teu lindo coração! És linda, e nunca deixes que te tentem convencer do contrário, sim? Já António, dizia que Maria era uma mulher extra-ordinária! Alguém que preenchia perfeitamente os seus requisitos. Linda, sedutora, espectacular. Perfeita para o sua boa forma física, e doce para as suas necessidades. Amiga para o acompanhar nos momentos de solidão que passava longe da sua terra natal.
CLR

 

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publicado às 23:02

15
Mai19

Longo caminho para Casa - Vinte e Dois

por Longocaminhoparacasa

                2201-COLLAGE

Nasceu!
Nasceu novamente o sentimento nobre.
Aquele sentimento mais nobre que pode existir…
Não há protecção que lhe valha!
Quando não se espera nada, quando se vive a sonhar acordada, vive-se na ilusão.
Maria saíra de casa, ainda não tinham batido as oito badaladas, no relógio de pé, instalado no corredor.
Descia no elevador ao som da música criada pelas badaladas daquele que aos seus olhos seria um grande e admirável objecto de estimação.
Seguia a estrada como quem comanda mecanicamente o veículo, e deixa o pensamento voar para bem longe dali…
Não o achava nem pouco nem muito atraente, nem era o tipo de homem que lhe costumava roubar o olhar ou cativar a atenção, mas nele havia algo que Maria não soube descrever, e que lhe estava a preencher o pensamento.
Uma empatia, uma sensação de que já se conheciam há centenas de anos, que já partilharam meio século e mais outro, de vida…
Só sabia que ele lhe parecia uma pessoa amável e simpática. 
Além disso, havia qualquer coisa naquele homem que a fazia ficar ali a pensar na noite anterior, relembrando as conversas sobre ninharias, de tudo e nada, que tiveram.
Era como se, junto dele, estivesse em segurança durante um bocado, e nada de terrível lhe pudesse acontecer. Era como se o coração de Maria estivesse em segurança com Filipe.
Ele dava essa sensação.
Mais havia mais…
Numa noite, Maria recebe no seu sono um maravilhoso sonho. Nele teve a visita da estrela duplamente maternal que tinha no céu.
O seu anjo da guarda, estava insitêntemente a aparecer-lhe em sonhos e a insistir que acordasse.
Alguma coisa estava para acontecer. Maria já tinha a certeza disso…
Mas se por um lado Maria já esitava, por outro havia aquela sensação de simpatia que lhe era demasiado familiar. 
Aquela sensação condimentada com uma nuvem de paz e sossego, regada com carinho e protecção.
Maria seguia viagem conduzindo o seu branquinho e parecia ter entregue o seu corpo ao sonho e só foi acordada pelo sorriso que esboçou devido à melodia que tocava naquele preciso momento, na rádio que sempre ouvira, RFM,
“ Tu eras aquela
que eu mais queria
para me dar algum conforto e companhia
era só contigo que eu
sonhava andar
para todo o lado e até quem sabe
talvez casa
ai o que eu passei só por te amar
a saliva que eu gastei só para te mudar
mas esse teu mundo era mais forte do que eu
e nem com a força da musica
ele se moveuuuuuuuuuuu….”
O sorriso de Maria esticara-se até perder de vista…
Embriagada pelo pensamento e pela melodia, teve o pressentimento de que naquela estrada, por aquele caminho, podia haver perigo, mas aquele momento era tão bom… 
Talvez pelo aparecimento de elementos perigosos ou imprudentes, o tal objecto que definira como temerário e temivel, o recomendável seria a fuga, pensa ela…
Mas parecia inofensivo, ela nunca se poderia apaixonar por um homem assim. Alguém que lhe passara sempre despercebido na rua ou em qualquer outro lugar…
Quando acordou já tinha estacionado, e já estava na fila da máquina para tirar o bilhete do metro…
Apesar de adorar gerir a sua economia, havia um aspecto nela que por vezes a fazia derrapar no défice e fazer estas excentricidades de comprar o bilhete do metro, em vez do passe que lhe ficava muito mais em conta… 
Andava sempre em excesso de velocidade, e o relógio no seu pulso parecia correr mais depressa, compassado com as suas batidas cardíacas, acelerando o ritmo das horas, transformando a falta de tempo e a distracção num real problema…
Maria era uma mulher. Uma mulher desde muito cedo corredora. Mas tão doce e completamente viciada em chocolate.
Maria era uma mulher!

CLR

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publicado às 22:55

15
Mai19

Longo Caminho para Casa - Vinte e Um

por Longocaminhoparacasa

21

Maria saiu da reunião já em passo apressado. Ainda precisava de passar em casa, deixar a pasta e a papelada, tomar um banho, dar um jeito na sua indumentária. Queria sentir-se menos formal, e mais à vontade.
Vestida com umas calças de sarja simples, um casaco de traçar e uma blusa branca por dentro, olha-se ao espelho e sorri..
Sentia-se muito melhor assim…
Pega nas chaves do carro e segue a correr o seu caminho. 
Caminho cujo destino era sem saber, não mais uma paragem, mas uma das paragens mais marcantes, do seu percurso de vida…
Enquanto descia a Avenida da Republica, pensava:
De inicio apenas se conheciam palavras, frases… Mas naquele dia, sim, naquele dia, iam conhecer-se gestos, expressões, sorrisos, e reacções.
E a reacção não podia ser melhor… Nem muito bom, nem muito mau… 
Simpatia, sorriso, simplicidade, educação e de aparência muito agradável…
Algumas voltas à praça procurando estacionamento… Mas, não estava fácil, como ele gostava de dizer… 
Enquanto ela estacionava o carro, ele observava-a de longe… 
Ela sentia o olhar de Filipe, como raios de sol a aquecerem o seu corpo, e sentia-se bem… Uma sensação agradável, de carinho, protecção e até um pouco de familiar… Embora não existisse nenhuma razão para que o sentisse, naquele momento de inicio, ela sentiu-o…
Apetecia-lhe sorrir, porque se sentia bem…
Gozaram da companhia um do outro, e o sentido das suas palavras só foram partilhadas em segredo com a nuvem de fumo que os envolvia, transformando-se no elo de separação das mesas gémeas, e de todas as outras almas gémeas, que pudessem existir ali naquele simples bar…
Conversa com café e muito fumo no meio da confusão e daí sem saberem, estava a renascer o início de uma amizade que viria a vestir a pele de um monstro transformador de sentimentos… Pois foi daí que nasceu o sentimento mais nobre que pode existir…
CLR

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publicado às 22:12

15
Mai19

Longo Caminho para Casa - Vinte

por Longocaminhoparacasa

20

A noite estava estrelada. 
Do manto azul brilhavam sinais de uma ninfa docemente envolta em chocolate, ora doce, branco, ora amargo, saboreado ao som de um Primeiro beijo, Paixão, ou o Prometido é devido, com um cavaleiro andante que mais tarde soou a não queiras saber de mim, e nunca me esqueci de ti.
Tudo por causa das pontes. 
Do seu significado já luzia a convicção que nada se poderia construir, porque nada havia para construir se não mais uma amizade. 
Maria tinha fechado o coração ao mundo.
Tinha criado um muro, onde protegia um mundo só seu, onde só deixava entrar quem fosse insistente e lhe provasse ser digno e merecedor da sua confiança. Por isso nada mais ofertava se não uma amizade, e alguns sorrisos.
De peito aberto, seguiu como quem pega numa folha em branco e confiantemente, começa a rabiscar o desenho que imaginou.
Desenhou e pintaram mais, mas começaram por desenhar aquela amizade.
Fizeram-no e fizeram muitíssimo bem, de tal modo que construíram uns alicerces que permitiam a construção de um aranha céus.
Uma afeição, uma estima, uma simpatia, apreço, um apego, uma cordialidade linda, que construiu uma amizade maravilhosa e robusta que perdurou e perdura ao longo do tempo. 
Ambos ganharam, lucraram daquela uma amizade maravilhosa que ofertaram naturalmente um ao outro, como se oferecem flores, a quem gostamos e recebemos com sorriso, de quem gosta de nós…
Com ela, ou com eles, o comboio seguiu…
O nascer do sol era cada vez mais lindo, aos olhos da Maria brilhavam cada vez mais, e tudo parecia crer que aquele havia de ser um dia especialmente deslumbrante e inesquecível para ambos…
Sem a mínima expectativa, sem nada esperar, sem nada sonhar…
Estavam a conceber um novo amor, uma paixão, construída sobre uns alicerces de uma amizade inabalavelmente inquestionável.

CLR

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publicado às 18:16

15
Mai19

Longo Caminho para casa - Dezanove

por Longocaminhoparacasa

19

 

Aquela imagem, aquele reflexo...
De estetoscópio a bisturi, inexplicavelmente trocado pela dourada espada numa fase inicial, e posteriormente pelo escudo, capacete, bastão e algemas. 
Primeiro os códigos e depois a toga, cruzaram-se com estas duas realidades. 
Maria aprendeu assim a abrigar o seu coração no caminho desenhado pela cabeça e sem qualquer protecção.
De coração amarrado, Maria julga-se imune a algemas e bastões pega no seu veículo e segue sozinha, sem qualquer protecção naquela estrada de corpo e alma.
Maria, era já uma jovem estudante universitária em fim de curso, aproveitando todos os minutos da vida, quando conhece Filipe um jovem profissional, que aproveitava todos os segundos dos minutos de todo o tempo que tinha livre na vida…
Sorriso contagiante, descontraído, confidente, bem composto, sempre amável e educado nas carteiras de uma escola onde há terras de grandes barrigas, onde as sopas chamam-se de açordas, as milhaduras são gorjetas, as encostas são chapadas e os açoites se dizem nalgadas, como reza a letra da canção magnificamente cantada pelo Antonio Pinto Bastos.
A profissão de Filipe foi a alcoviteira daquela relação. 
Já era um caminho conhecido de Maria, e os seus passos naquela estrada eram calculados ao milímetro, tamanha era a sua ideia de respeito e “justiça”.
As profissões cruzavam-se várias vezes na vida, e como assim era já reinava a descrença, a desconfiança que por vezes no coração de Maria, ainda estava muito fresca, muito recente. 
Por isso todas as palavras que lhe saiam da boca, saiam-lhe da razão, e nunca do coração.
Estavam unidos pela ideia da justiça, e a sua experiência recente, não tinha sido muito gratificante para o coração de Maria.
Com ela estava colada e assente a ideia de que nada mais que uma amizade dali podia surgir.
Maria já tinha aprendido que sexo é uma necessidade, e que amor era foda, e o respeito, a cumplicidade e a amizade, eram o melhor alicerce que o amor podia ter.
O amor era foda na medida em que nos torna dependentes, porque teima em passar o visto de condecoração ao coração, que fica com a mania de ser obediente a outrem que não o seu corpo e a sua cabeça.
Quando o coração ignora a razão, está tudo tramado.
O amor torna-nos reféns de nós próprios.
Aquele que é rei e que esta dentro de nós, aquele que dizem que nos dá vida, é tramado, quando quer mandar na nossa vida.
Porque no fundo, ele não existe, ou não tem grande valor sem o outro senhor verdadeiramente rei, que é o cérebro, mas ele tem a mania, e pronto. Marca o caminho.
Isto, Maria já tinha aprendido. Mas havia qualquer coisa. Havia mais qualquer coisa que Maria tinha de aprender. Havia outra caminho que Maria tinha de percorrer.
Inexplicavelmente as pernas de Maria mexiam-se, os pés ganhava vida, e o sentimento que reinava desenhava-se na ideia de que era preciso que, sem medos, seguisse em frente, sem destino. 
Aquela imagem, aquele reflexo.
Tinha que conhecer aquele caminho, seguir aquela estrada e deixar as marcas fazerem parte do seu caminho.
CLR

 

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publicado às 18:13


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