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A sina, o caminho, ou simplesmente uma história. Um caminho igual a tantos outros, ou, uma história de vida, semelhante a tantas outras vidas. Uma história vivida, ou apenas fruto da minha imaginação.


12
Mai19

Longo Caminho para Casa - Oito

por Longocaminhoparacasa

Continuou assim perdida por uns dias…
De cabeça inclinada para baixo, olhos tristes plantados em sorriso amargurado, seguia a sua caminhada, contando as horas do dia, e os minutos das noites que voavam no seu calendário…
A cada segundo que passava, a sua mente estava ocupada com pensamentos e com analises, retrospectivas do que tinha sido a sua vida…
Quem era, o que tinha passado e quem queria ser… O que queria esquecer, e o que queria apontar sublinhado, como aprendizagem da vida…
O amor… Era o vocábulo que mais lhe ocupava a mente…
Pensava nesse sentimento tão belo e tão nobre… 
Meditava em como se poderia tornar num carinhoso monstro tão complexo.
Em nome dele quantas e quantas vezes somos obrigados a ceder, a ultrapassar barreiras e a lutar para vencer.
Pensava em como belo seria o amor, paternal, maternal… 
O carinho e dedicação da família e amigos… 
Seleccionava com lágrimas aqueles que mais a marcaram, e no centro da pirâmide, havia uma avó e um pai… Depois seguia-se o amor de mãe, que foi crescendo como ela… Mas há outros amores, e a sua historia como o seu coração, estão repletos de amor…
A sua história fala-nos de um amor… Do seu amor… De si… Dela, dele, deles e de nós… 
Um amor que só mais tarde se viria a realizar.
Algo que a fez recuar no tempo e relembrar o passado, quando conheceu aquele que pensava ser o único que amou em toda a sua vida.
Maria era ainda uma jovem com pouco mais de 15 anos quando, na primavera e começo das aulas, se apaixonou. Conheceram-se uns dias mais tarde do começo das aulas, embora tivessem reparado um no outro, desde o primeiro dia. 
No entanto, ele era uns anos mais velho, estava a fazer algumas disciplinas que deixara no ano anterior. 
Gozava de uma fama de galã invejável… 
Na verdade não era só o rapaz mais cobiçado do liceu, como aquele a quem mais namoradas lhe eram conhecidas…

CLR

 

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publicado às 23:42

12
Mai19

Longo Caminho para Casa - Sete

por Longocaminhoparacasa

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Os dias foram passando, e o verão continuava inconstante….

Ora trazia no coração o calor que o sol lhe oferecia, ora sentia nos ossos o gelo que a brisa fria lhe ofertava…

Ora sorria, ora sentia os ossos a rugirem-lhe em voz alta, na alma, o gelo da sabedoria da justiça…

Sobremesa barrada com a doce moral.

Provava da sua ideia de justiça, e bebia da solidão amarga que teimava em a aconselhar sobre a bíblia da justiça divina…

Lá fora lê no céu a mensagem que lhe diz a imagem do raio que se rompe no manto azul negro da noite…

Nos seus ouvidos zoa o som da música da voz de comando do senhor ralhando-lhe… Tal qual como ela tinha previsto…

- Ouves? É o nosso senhor a ralhar….

- A ralhar, avó? Está zangado? Com quem? Porquê?

- Sim, com os homens maus, que fazem maldades, fazem a guerra e cometem pecados….

- O que é um pecado, avó?

-Espera.. Toma, lê este livro.. Quando acabares dir-me-ás tu o que consideras pecado, sim?

- Está bem…

Tinha pouco mais do que uma mão cheia de anos…

Passadas já quase 3 décadas, ela nunca acabou de ler o livro todo… Leu saltando folhas, fazendo batota, para que pudesse continuar na ignorância, vivendo a vida, saboreando-a lentamente e colhendo-lhe os frutos… Uns bons, outros maus… Mas queria poder ser ela a selecciona-los… Distinguindo sempre o bem do mal, mas sempre sem ter que suportar na mente, o peso da consciência do que era para o mundo considerado pecado…

No entanto, ouvia rumores… Juízos de valor que se apregoavam. Ora por quem nunca lutou pela felicidade, ora por quem foi abençoado pela felicidade e não lhe sabe dar o valor….

Olhava o céu e perdia-se em pensamentos… No que tinha lido, no que tinha aprendido, e no que ia ouvindo….

Sabia quem era , e tal como o tempo, ela também se sentia inconstante….

Ora bem, ora mal… Ora com asas de anjo, ora pecadora…

Tal nuvem branca e pura, tal lua pecaminosa…

Tal qual como ela se sentia também…….

Flor frágil e doce, mascarada de forte…

Guerreira que facilmente vestia o seu traje para lutar contra o seu inimigo, o seu coração… E chegara esse momento…

Sabia o que estava certo, não pelas leis do pecado, mas pela pior e mais rude lei … Aquela que emana da sua razão…

Acabara o dia a pensar no que mais a atormentava nos últimos dias…Que tinha uma decisão a tomar… Dar voz à razão na luta contra o coração…Uma decisão que a magoava…. Mas, precisava faze-lo por mais que lhe doesse… Era o mais justo, era a decisão mais acertada, era o que tinha de fazer, embora fosse esse o espinho que mais a magoava naquele instante. Mas, era algo que tinha de ser feito…

Por mais problemas que lhe inundassem a mente, isso era o que mais a fazia sofrer… O ter de tomar essa decisão…

O amor é como um pombo correio, abre-se a porta , e deixa-se voar…. Espera-se … Se voltar é porque aprendeu com a vida, os ensinamentos do que realmente é importante. Aprendeu o que é o amor… Sentiu o seu real significado… Lutou, voou, sentiu saudade, chorou…Sofreu….E percorreu o caminho e... Voltou…. Se não voltar é porque, ou não aprendeu, ou não foi importante aprender…. Há quem se prefira perder, no caminho da sua casa…. Ora tornando-o longo, ora transformando-o numa estrada inatingível…. Assim sofre e faz sofrer menos...
CLR

 

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publicado às 23:38

12
Mai19

Longo Caminho para Casa - Seis

por Longocaminhoparacasa

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À noite, tocou com a mão no peito, fechou os olhos e sentiu que no peito continuava a transportar o brilho de uma estrela no meio daquelas que tantas vezes no manto negro da noite contara…
No reflexo da janela viu no seu olhar o brilho… 
Pensou no brilho da estrela que via no céu, fechou os olhos a sonhar e imaginou que seria o brilho do seu amor a guia-la… Seria um sinal, como quem diz:
- Estou aqui amor, amo-te e quero-te…. Eu estou aqui contigo….
Envolvendo-a seguidamente num forte abraço aconchegante, interrompido por um beijo na testa e mais um abraço….
Ela continuou a sonhar e podia sentir a mesma sensação que sente um passarinho no ninho, aconchegada, amada, protegida, feliz…
Voltou novamente a abrir os olhos, e a ver o seu reflexo no espelho, mas nada mais viu se não a sua imagem….
Procurou no céu o sinal, mas a estrela tinha deixado de brilhar, confundia-se no meio das outras…. 
No meio de tantas outras…
Na madrugada rompia o sol…
O Sol… Pensa ela… O Sol…Quando lhe acodem os seus raios, ela costumava deliciar-se com o mel que este lhe oferecia….
Ao levantar o corpo da cama pega na alma molhada e angustiada e pensa:
Está na hora de ir embora? … Será esta a hora?
Num ápice olha pela janela e sente o brilho da fonte que atrasa a sua partida…. 
Começa a meditar outra vez na vida. Na vida que levava e transporta-se novamente para a história do sol e da lua… 
O sol também raramente encontra a lua…
E chegou. 
Acabada de chegar, ao principio do meio, do caminho.
Chegada ao meio do longo caminho de casa , sente que, precisa urgentemente de um sinal. Quem sabe um eclipse…
De uma luz ou de um eclipse.. 
De um sinal
E não só uma luz, uma luz aquecida com o sol e brilhante como a lua. 
Um eclipse, não só, um encontro de lua e sol….
CLR

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publicado às 23:32

12
Mai19

Longo Caminho para Casa - Cinco

por Longocaminhoparacasa

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Seguiu o caminho rasgando a estrada, como quem rasga as cartas do passado carregadas de mágoa. 
À medida que via o adeus a fugir-lhe nos traços brancos que dividiam a estrada, ia pensando no que queria deixar para trás, no passado, e no futuro… 
No futuro que queria construir, e na pessoa que queria voltar a ser… Ela…. Apenas ela… Queria conjugar de novo um verbo que deixara de conjugar há já muito tempo… Viver… Conjuga-lo na frase: Viver a vida amando e com amor… A sua VIDA!
Seguia o seu caminho, mas desta vez, o céu não se pôs negro. O clima não se tornou frio e parecia que estava a viver um novo mês, num novo ano, já não o de Agosto, mas o de Setembro… O de um ano qualquer, que não este… Porque este estava ainda muito próximo…
Regressou então, não ao ponto de chegada, mas ao que devia agora ser entendido como ponto de partida…
Na mão trazia uma rosa… Não lhe tinha sido oferecida por ninguém. Tinha sido roubada por si à roseira do seu jardim… Colheu-a com o carinho próprio de quem a plantou, a alimentou, a regou, a acariciou tantas vezes nos espinhos, nas folhas velhas, mas principalmente, lhe respeitou os espinhos…
Ao sair do carro com as últimas malas, pegou com o carinho que a caracteriza na rosa, e do seu rosto emanou um sorriso molhado de nova vida e respeito… 
Pensou nas mágoas e nas nódoas negras que o seu corpo exibia, deu um beijo molhado na rosa, e do meio dos espinhos brotou-lhe em jeito de nova vida um sorriso…. A medo, tocou com o dedo no espinho, devagarinho para não se picar…. Acariciou-o e dela nasceu um sorriso…
Subiu no elevador a pensar, nos seus espinhos, e nos seus medos…. No respeito que tinha por eles, e em como, tal como fizera na rosa, ao percorrer aquele caminho, agora os tinha encontrado no regresso, os tinha tocado, acariciado e respeitado… 
Depois de percorrer um caminho, estava a respirar uma nova vida.
Beijando os espinhos, olhando para a rosa sorriu, como quem lhe segreda que precisa agora do amor, carinho, protecção e dos mimos que já lhe ensinou a receber….
CLR

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publicado às 23:22

12
Mai19

Longo Caminho para Casa - Quatro

por Longocaminhoparacasa

                                      Menininha olhando a Lua ( L I N D O )

Pela incerteza esperava calada…
Pensava…. Esperava por uma palavra… Palavra em que ela agora pensava e que não lhe saia da cabeça… Era apenas um pronome pessoal que ela desejava muito poder conjugar bem alto, em voz de grito para que toda a gente pudesse testemunhar…. Sem qualquer tipo de receio… Nós… Nós… Nós…. Eu, Tu, NÓS….
À noite, via o brilho da lua por entre a luz de lágrimas. Lágrimas de amor, de dor, de raiva, e alivio. Sim alívio… Lágrimas de saturação, tal como aquelas que tinham caído do céu…
O Céu… As estrelas, o sol, a lua…
Lua, esta que ama, o seu sol, distante…, pensa ela…
A lua que espera eternamente pelo seu amor…. Continua a pensar….
Adorava poder ser como a lua, continua pensando…
E lá está ela, na noite escura, como a lua, esperando pelo dia, para poder ver o sol alegre e contente. Brilhante aquecendo-lhe o sorriso.
Percorrendo o seu triste caminho, ela vai tropeçando no sorriso das estrelas, que lhe oferecem o seu próprio sorriso...
Esperando ver a felicidade…. A felicidade que lhe seria dirigida, se fosse… 
Estava ela como a lua, à espera da sua vez… 
À espera que a estrela cadente, lhe indicasse o caminho…

O caminho de casa. O caminho da sua casa
CLR

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publicado às 22:35

12
Mai19

Longo Caminho para Casa - Três

por Longocaminhoparacasa

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Parecia ter chegado o final do ano... Chuva, frio, nevoeiro…
À medida que se ia afastando na estrada, ia imaginando o sol, via-o timidamente a romper as nuvens, que também via estarem cheias de lágrimas. As suas lágrimas. A suas lágrimas a caírem do céu… Seguia caminho trepando a estrada. Como quem trepa uma montanha de ilusões. De sonhos… Remando com a ferocidade de quem precisa de sair dum remoinho… Nadando para se manter a flutuar… Pensando no que ficou para trás, no passado, no futuro e em como inesperadamente o céu por todo o lado se pôs negro. O clima tornou-se frio, e ela vai pensando nas coincidências da vida… Nas coincidências da natureza, e em como do céu em pleno mês de Agosto, caíram também lágrimas fortes, diria mesmo torrenciais, em alguns pontos dos pais…
O final de Agosto parece ter chegado mais cedo, chegara a Setembro sem esperar, ou seria ao Inverno, final do ano? Parecia Inverno, com chuva, lágrimas, e o céu não só mas também ele muito nublado…
Seguia a estrada e chegada à serra, apanhara nevoeiro… Olhava ao redor com espanto e não queria acreditar, nevoeiro em Agosto…. Mudanças, parece que chegamos ao final do ano... Mudanças no clima…
Ela, enfrentou-as como pode. Usou da força que não esperava ter e vestida com a capa que nunca teve de usar, foi enfrentando a tempestade no seu céu…
À luz do dia, e no meio do céu escuro, iluminada pela média luz fosca da estrela distante, uma luz de AMOR puro, forte e indomável, seguiu o seu caminho no meio de chuva que caiu do céu perdida, tal como ela se sentia… Perdida…
Chegada ao destino onde esperava se encontrar, no ar havia um estranho vento húmido que confundia o tempo, o modo e o lugar…
Sim foi ali. Tanto quanto é possível localizar, numa visão secreta da vida. Foi ali… Subiu ao seu quarto e naquele instante em que se viu confrontada frente a frente, com o passado recente e com a sua imagem no espelho, mas foi ali, ainda não desligada dela, que ela resolveu libertar-se em desabafo de choro…
Ali naquele momento, perante aquela imagem reflectida no espelho, ela ia tentar transferir para a outra parte de si, aquela sem memoria, ou de memoria apagada o seu passado recente… Aquela memoria branca que é por consequência incapaz da menor relação, passado, presente de si, com outro alguém ou do real com a visão que o abstracto contem… Ela… No espelho, desejava ver ela… E sonha que ela sem memoria, se esvai pelo presente, que simultaneamente deseja ver tanto passado como passado morto… Ela... Deseja soltar-se da existência anterior, e interior de mágoas … Porque sem referências do passado morrem os sentimentos, as ideias, os afectos e os laços sentimentais que a magoam… Razão pela qual ela se encontrava então perdida, e à procura do seu caminho para casa…
Aquele que tinha vindo a ser, um longo caminho para casa…
CLR

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publicado às 10:43


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